
Para muitos adolescentes, mais desgastante que a maratona do vestibular é a escolha da futura profissão. E não é para menos. Optar pelo curso mais adequado ao seu perfil pode ser decisivo para quem sonha com uma carreira de sucesso. Na hora da dúvida, a melhor alternativa é participar de um programa de orientação profissional. Oferecido por empresas particulares e algumas instituições públicas, esse tipo de programa incentiva o autoconhecimento e faz com que o vestibulando descubra a quais carreiras poderá se adequar melhor. “A escolha da profissão é a busca pela identidade, é a busca daquilo que o jovem vai ser em seu futuro e não apenas pelo que ele irá fazer”, diz a professora Yvette Lehman. Ela coordena o Laboratório de Estudos sobre o Trabalho e Orientação Profissional (Labor) da Universidade de São Paulo, que atualmente oferece auxílio gratuito àqueles que procuram seus serviços.
Os jovens que se inscrevem no laboratório da Universidade de São Paulo são acompanhados por psicólogos já diplomados e também por estudantes de psicologia que conduzem sessões individuais ou em grupo, dependendo do caso. Por meio de conversas e dinâmicas, os adolescentes são instigados a entender por que gostam de determinadas carreiras e não de outras. Além disso, eles se confrontam com a realidade de cada profissão, já que muitas vezes têm apenas uma imagem idealizada do que querem para o futuro. “O importante não é saber somente escolher a profissão, mas fazer também com que essa escolha sobreviva. Cada opção implica um compromisso”, diz Yvette.
Nem sempre os vestibulandos acreditam nos resultados apontados pela orientação profissional. A universitária Renata Stecca, 18 anos, passou por um processo desse tipo em uma empresa particular. “O resultado indicava as áreas de humanas, como turismo e comunicação, mas acabei optando pela faculdade de administração”, diz Renata. Atualmente cursando o segundo ano da faculdade, ela admite estar arrependida da escolha e tenta transferi-se para o curso de jornalismo.
E qual estudante nunca se deparou com aquele famoso teste vocacional em formato de questionário? Mas cuidado: os especialistas garantem que ele não é suficiente para decidir o futuro profissional de ninguém. O universitário Luís Fazzi, 19 anos, sabe bem disso. Ainda no colegial, ele sonhava com o curso de química e constatou num desses testes vocacionais, feitos através do computador, que a área mais parecida com o seu perfil era a de ciências biológicas. Feliz com o resultado, Fazzi se matriculou em um cursinho prévestibular e para sua grande surpresa passou a gostar mesmo, e muito, de matemática. “Por causa do resultado do teste fiquei confuso, mas acabei optando por estudar economia”, diz ele, cursando o segundo ano da faculdade. O jovem garante que fez a escolha certa e se diz decepcionado com o teste vocacional.
Segundo a professora Yvette, é natural que cada vez mais os estudantes fiquem em dúvida na hora de escolher a faculdade, já que, todos os anos, surgem novas profissões no mercado. “Muita gente procura orientação profissional para saber quais carreiras são mais seguras e quais dão mais dinheiro. Mas o segredo é escolher o que faz você feliz. O maior sucesso é quando você reconhece que faz aquilo de que gosta”, diz ela.