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Cultura  
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Dançando na água
Nos espetáculos Waterwall e Diavolo, a dança ganha efeitos especiais gerados por bombas hidráulicas, cascata e uma parafernália tecnológica

IVAN CLAUDIO

Dentre os 16 bailarinos-atletas da companhia está o ex-nadador paulista e campeão de saltos ornamentais Luis Mangini. Ele conta que, mesmo com tantos ensaios (quatro horas diárias, geralmente), é comum acontecerem escorregões e batidas na estrutura de alumínio. Nas cenas em que há simulação de que estão surfando, os acrobatas fazem isso diante de uma onda monumental e todos aparecem com floridas bermudas havaianas. O figurino mais usado, no entanto, são roupas pretas impermeáveis de neoprene. Outro truque desenvolvido em quase dez anos de sucesso é a temperatura da água, que começa por volta de 31ºC e termina medindo 27ºC. Ela não pode ser muito fria, pois causaria contusões no corpo aquecido, nem muito quente, porque provocaria o efeito contrário: relaxaria demais os músculos. Waterwall (traduzindo, parede de água) abre com uma estrutura nua de alumínio que começa a ser escalada por operários vestidos de macacão laranja. Aos poucos, começa a sair água, que logo vira uma verdadeira cascata, embelezada por exuberantes e surpreendentes efeitos luminosos. O visual é tão espetacular que o grupo atualmente oferece seus serviços para desfiles de moda e lançamentos de produtos - entre as marcas que já usaram esse efeito está a BMW, que fez, em um de seus mais originais e famosos anúncios, um carro sair detrás da parede de água.

SEM ÁGUA Navio de Diavolo é feito por fábrica de aviões

Essa engenhoca é o resultado de um projeto que envolveu conhecimentos de engenharia nas áreas de mecânica, hidráulica e sistemas elétricos, e se prolongou em testes que demoraram dois anos. Tudo isso até que ela se mostrasse adequada aos movimentos dos bailarinos. O processo é parecido com os objetos de cena do espetáculo Diavolo. "A estrutura é sempre desenhada com a colaboração de um arquiteto ou de um designer", diz Heim. "Aí, os bailarinos improvisam movimentos nessa estrutura por um período de três semanas. Em dois meses, temos uma nova coreografia." No espetáculo o grupo apresenta cinco coreografias, e duas delas (Knocturne, Dueto I e Dueto II) foram criadas e desenvolvidas para acontecer em uma porta de três metros de altura. "Viajar com esses cenários é o nosso grande desafio", diz Heim. Pode até ser. Mas desafios maiores, sem dúvida, são os perigosos movimentos e incríveis saltos no vazio.

 

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28/5/2008


 
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