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Medicina & Bem-estar  
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Quando o cérebro renasce
Botox, jogos virtuais, dança e teatro estão entre as novidades para recuperar as habilidades perdidas após o acidente vascular cerebral

Entre os recursos usados na reabilitação, a ciência aposta na eficácia de técnicas como a terapia de contenção – o membro sadio é impedido de se movimentar para obrigar o que ficou prejudicado a se exercitar. O método foi aprovado em um trabalho publicado na revista The Lancet Neurology. “Vemos os melhores resultados em pacientes com menos perda motora”, explicou à ISTOÉ Steven Wolf, da Emory University School of Medicine, nos EUA, autor da pesquisa. Para auxiliar esses indivíduos, também existem aparelhos portáteis que estimulam o movimento dos músculos por meio do envio de sinais elétricos. Um deles é o NESS L300, usado para melhorar a capacidade de andar. Outro, para o braço, está em teste no Instituto Tecnológico de Massachussetts.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

Percepções aguçadas para a pintura
Cinco anos após um AVC, o arquiteto Nilo Santos, de Brasília, recuperou as habilidades. Ele foi tratado na Rede Sarah. “Voltei a ter 100% da memória e a mesma capacidade cognitiva. Algumas percepções ficaram ainda mais aguçadas”, diz. De fato. Nilo agora também se tornou pintor

Mais uma estratégia com importância crescente é o uso de videogames para treinar o raciocínio e o domínio de movimentos. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel, inovaram nessa área ao criar um jogo virtual para identificar qual atividade é mais indicada e as chances de recuperação de cada indivíduo. “Nos testes, o jogo mostrou 90% de eficácia nessa distinção”, contou à ISTOÉ o cientista Larry Manevitz, um dos responsáveis pelo trabalho. Para atenuar a contração muscular – e a dor resultante disso – que costuma acometer os pacientes com seqüelas, uma das opções mais recentes é o botox. A toxina botulínica relaxa o músculo.

Num futuro próximo, o arsenal poderá contar com as células-tronco. Diversos trabalhos verificam se essas estruturas podem regenerar áreas lesadas. No Brasil, um dos centros envolvidos nessa pesquisa é a Universidade Federal do Rio de Janeiro. O objetivo, por enquanto, é testar a segurança dos implantes (as células são retiradas da medula óssea do paciente e levadas ao cérebro por cateter). “A próxima etapa será medir a eficácia disso”, informa a neurologista Valéria Battistella, uma das envolvidas no projeto. Outro recurso em teste é a estimulação magnética transcraniana. “Sua função é gerar um campo magnético para ajudar a reorganizar os padrões elétricos cerebrais”, explica a fisiatra Isabel Salles, do Hospital SírioLibanês.

IORAM FINGERMAN/AG. ISTOÉ

Tratamento dentro do prazo

A paulistana Mariana Chaves tem 19 anos. Há nove meses, porém, uma nova contagem de tempo de vida começou para ela. Em agosto de 2007, Mariana sofreu um AVC. Foi socorrida quando faltavam apenas dez minutos para completar três horas após o início dos sintomas. “Hoje, tenho apenas certa dificuldade de movimento do lado esquerdo do corpo”, diz ela, que faz fisioterapia e exercícios com personal trainer

Em meio a tantas saídas tecnológicas, uma alternativa tem se sobressaído pela simplicidade. É o estímulo a práticas como o teatro e a dança. Em São Paulo, o grupo Danceability reúne para dançar pessoas com e sem deficiência, incluindo portadores de seqüelas de AVC. “Estimulamos o uso do corpo de acordo com as condições de cada um. Mas é arte, não fisioterapia”, diz a dançarina Neca Zarvos, criadora da iniciativa. No teatro, o ator Nicholas Wahba reúne no Ser em Cena mais de 30 pacientes com dificuldade para falar. Ele mesmo usou a arte para recuperar a fala após um acidente cerebral e resolveu passar o benefício adiante. “Quem tem dificuldade de falar uma palavra recebe ajuda de outro que não consegue dizer outra parte do texto. E rimos muito”, conta. Hoje, o grupo busca patrocínio cultural para novas turmas e apresentar a peça Reconstruindo a palavra.

Colaborou Hugo Marques

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28/5/2008


 
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