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Medicina & Bem-estar  
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Quando o cérebro renasce
Botox, jogos virtuais, dança e teatro estão entre as novidades para recuperar as habilidades perdidas após o acidente vascular cerebral

O sorriso da mineira Marilene Lopes, 55 anos, estampado na foto ao lado, é emblemático. Ele retrata a nova fase da ex-executiva da área de comunicação que, há sete anos, perdeu a capacidade de falar, de raciocinar corretamente e de administrar a própria vida. No dia 17 de O maio de 2001, ela sofreu um acidente vascular cerebral, o AVC, problema gravíssimo que pode matar ou deixar seqüelas devastadoras, como a paralisia de braços e pernas. Como se vê pela vitalidade de Marilene, porém, hoje a única lembrança do dia em que seu cérebro quase parou é uma dificuldade eventual e muito discreta de memória. Com a assistência correta para se recuperar, o cérebro de Marilene renasceu. E assim tem sido com milhares de pacientes ao redor do mundo. Cada vez mais, a medicina desenvolve recursos para o tratamento mais eficiente do AVC. O esforço é para impedir a escalada de mortes causadas por ele, hoje estimadas em cerca de sete milhões no mundo. Calcula- se que 75% deles sejam isquêmicos – quando há entupimento da artéria por um coágulo. Os outros 25% são hemorrágicos, caracterizados pela ruptura do vaso sangüíneo.

ALEXANDRE SANT’ANNA/AG. ISTOÉ
VIDA Marilene superou as seqüelas do AVC usando os melhores recursos e com muita persistência

As investidas têm resultado em descobertas para impedir que ele aconteça um dia. É conhecida a lista de fatores de risco clássicos – hipertensão e diabete entre eles. Agora, a ciência estuda a relação do acidente com outras condições. Entre elas, as doenças respiratórias, como indicou trabalho recente publicado no European Heart Journal. Produzido por cientistas ingleses, o estudo revelou que o indivíduo que sofre uma infecção respiratória tem o dobro de risco de manifestar um acidente cerebral na semana seguinte. O motivo da associação está sendo investigado. Os pesquisadores verificaram também que a poluição eleva a chance de um AVC em portadores de doenças cardíacas, fato constatado estatisticamente. Uma das respostas é que os poluentes atmosféricos elevam a produção de uma substância que deixa o sangue vulnerável à coagulação.

Informações como essas servirão para controlar melhor os gatilhos que detonam os acidentes. Mas os cientistas buscam outros recursos de prevenção. Parte deles, está-se descobrindo, pode ser obtida na alimentação. Nos EUA, cientistas da Northwestern University Feinberg mostraram que a suplementação de ácido fólico – substância do grupo das vitaminas B encontrada em alimentos de folha verde-escura – reduz em cerca de 18% a vulnerabilidade ao AVC. Isso porque o nutriente diminui no sangue a concentração da homocisteína. Em altos níveis, esta proteína contribui para a formação de coágulos. Na França, médicos da Faculdade de Montpellier anunciaram, na última semana, que o consumo de três maçãs ou de três cachos de uva por dia é uma boa escolha para evitar coágulos.


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28/5/2008


 
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