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Meio ambiente  
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Uma cratera no coração do Brasil
Ibama quer proteger em Mato Grosso área com 40 km de diâmetro formada pela queda de um meteorito há 250 milhões de anos

Por LUCIANA SGARBI

A probabilidade de um meteorito cair na Terra é uma em 20 mil, segundo a Agência Espacial Americana (Nasa). Esse número nos passa a idéia confortável de que dificilmente seremos alvo, por exemplo, de 200 milhões de toneladas de rochas desabando sobre o planeta. Basta olhar, porém, para o município de Araguainha, em Mato Grosso. O seu chão que abriga cerca de mil habitantes é o chão de uma cratera, as montanhas que o circundam são as bordas de uma cratera de 40 quilômetros de diâmetro, a vegetação que ali floresce brota da terra de uma cratera – resultado da queda de um meteorito na região há cerca de 250 milhões de anos. Viajando 50 vezes mais rápido do que a velocidade do som, ele se fragmentou e passou pela camada de proteção da atmosfera.

Colidiu em uma zona marinha rasa (justamente onde está Araguainha) e o que era um rio cercado de intensa vegetação tornou-se um conjunto de anéis de morros com cavernas de arenito e sítios arqueológicos. Reconhecendo agora esse patrimônio e temendo deixá-lo à mercê da exploração inadequada, o Instituto Nacional de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) encaminhou ao governo federal um relatório que prevê a criação de dezenas de unidades de conservação para proteger a área do domo de Araguainha – a maior cratera de meteorito da América do Sul e a décima sétima do mundo.

A cratera é tão vasta que abrange o território de seis municípios. Segundo pesquisadores, o meteorito tinha até quatro quilômetros de diâmetro e seu impacto teve potência equivalente ao de 28 milhões de bombas nucleares. Para comprovar essa tese, geólogos foram a campo e descobriram rochas deformadas que só surgem em eventos dessa magnitude e fragmentos fossilizados de organismos marinhos. Esse “rombo” em pleno solo brasileiro pode ser um dos mais importantes laboratórios arqueológicos da história: são 281 mil hectares abrigando mais de 20 cavernas de arenito e 12 sítios arqueológicos identificados. Concentra ainda nascentes de diversos formadores do rio Araguaia e espécies da flora e fauna do cerrado ameaçadas de extinção – como o tamanduá-bandeira, a onça-parda, o lobo-guará e a arara-azul-grande.

É difícil imaginar que um complexo ambiental dessa grandeza esteja cravado em um dos locais mais devastados do País – o Estado de Mato Grosso. Segundo o Ibama, a remoção da vegetação causa impactos visíveis, como o aumento da suscetibilidade do solo à erosão. Um trecho do relatório enviado a Brasília diz que “o processo erosivo, facilmente perceptível, pode comprometer a viabilidade a médio e longo prazo de diversas nascentes e córregos, além de potencialmente alterar variáveis hidrológicas do rio Araguaia”. O Ibama pretende agora instalar cinco áreas prioritárias de proteção, incluindo a região dos morros que cercam a cratera.


28/5/2008


 
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