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Comportamento  
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Dinheiro traz felicidade?
Sim, para quem está no topo ou na base da pirâmide salarial. Distante de seus sonhos de consumo, a classe média é a mais infeliz

Por RODRIGO CARDOSO

Em uma escala de 0 a 10, o País atingiu 6,64, mais próximo dos europeus, como a Dinamarca, líder com 8,02, e mais distante dos africanos, como o último colocado Togo, com 3,2. “A redução das desigualdades, da inflação e o aumento do emprego formal ajudam a explicar por que as pessoas aqui se dizem felizes”, diz Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). “Essas boas razões conjunturais estão fazendo o brasileiro olhar mais para o País e menos para o próprio umbigo.”

Giannetti, do Ibmec São Paulo, concorda que o emprego é que produz maior impacto no bem-estar subjetivo (ou seja, na felicidade) da sociedade. Para ele, a desigualdade de acesso às oportunidades torna o dinheiro mais poderoso na mente de quem ganha pouco e dá um poder desproporcional perante a sociedade aos que ganham muito. E, para provar que por aqui a renda relativa, ou seja, o status, fala mais alto, ele costuma fazer um experimento em sala de aula. Perguntados se preferem ganhar R$ 100, enquanto as outras pessoas ganham R$ 50, ou R$ 150, enquanto todas recebem R$ 300, 100% dos alunos de Giannetti escolhem a primeira opção. “No segundo caso, receberiam 50% a mais, mas carregariam o carimbo de pobres”, explica o economista.

É preciso ter em mente que, em nome da busca pela riqueza, pode-se estar sacrificando relacionamento afetivo, saúde, tempo dedicado à família, amigos e filhos. Um estudo com ganhadores de loteria, na Inglaterra, mostra que os índices de felicidade desse grupo se prolongaram por no máximo dois anos. Depois desse período, o índice de felicidade regride à média geral da população. Conclui Giannetti: “Os determinantes da felicidade humana, provavelmente, estão muito mais na imaginação do que no bolso das pessoas.”

DESCONTENTE COM O SALÁRIO
No magistério há 12 anos, a professora de educação física Sônia Regina Aguiar Vieira, 35 anos, trabalha das 7h30 às 18 h e adora sua profissão. Só não gosta do salário pago pela Fundação Educacional de Goiás (R$ 2,6 mil) e da falta de estrutura. Para complementar a renda, Sônia se especializou em musculação e psicomotricidade e trabalha nos fins de semana em academias particulares como personal trainer, numa estafante jornada que começa às 6 h. “Trabalhar mais e durante os fins de semana é a única maneira de conseguir um dinheiro extra.”
JEFFERSON RUDY/AG. ISTOÉ

IBRAHIM CRUZ/AG. ISTOÉ FELICIDADE COM POUCO DINHEIRO
A melhor hora do dia para Renan Morais, 21 anos, é quando termina sua viagem de ônibus de 40 minutos, do Capão Redondo à Granja Julieta, na zona sul de São Paulo, e começa outra jornada de trabalho. Ele é operador de loja do Carrefour, onde é responsável pelo abastecimento e pela reposição de produtos nos setores de automotivos e jardinagem. “Não tenho do que reclamar. Faço o que gosto e a loja toda é de amigos. Dou risada o dia inteiro”, diz ele, que ganha R$ 612 por mês, além de benefícios, como transporte e convênio médico

Aziz Filho, Carina Rabelo, Claudia Jordão, Leoleli Camargo e Sérgio Pardellas


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28/5/2008


 
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