Ele surgiu no final dos anos 80 e por quase uma década envolveu os corpos de musas como Cindy Crawford, Iman e Tyra Banks. Produzido com faixas elásticas que moldam o corpo como se fossem cintas, o vestido-bandagem (em inglês, bandage dress) voltou a circular com força total no mundo das celebridades e se transformou em peça cobiçada no guarda-roupa fashion. Na primavera americana, sobram famosas dispostas a circular com seus corpos malhados espremidos nos modelitos criados pelo estilista francês Hervé Léger.
O revival dos vestidos- bandagem começou ainda nos desfiles das coleções internacionais para o verão de 2007 no Hemisfério Norte, quando designers jovens e descolados como o escocês Christopher Kane e a dupla Proenza Schouler apresentaram peças inspiradas nas faixas. Bastou a grife americana BCBG Max Azria – dona do nome Hervé Léger desde 1999 – levar às passarelas da Semana de Moda de Nova York, em fevereiro, sua coleção supersexy de modelos justíssimos no corpo para que famosas como a atriz Lindsay Lohan e a eterna spicy Victoria Beckham voltassem a desfilar seus vintage em eventos sociais. Fomentada pelos cliques dos paparazzi, a moda voltou. Mas segue sendo um privilégio para poucas. Não pelo preço – alguns modelos usados estão à venda no e-Bay por pouco mais de US$ 300. Apesar de confortáveis e muito sensuais, são peças para quem é magra e tem um corpo com tudo no lugar. “São roupas extremamente justas, que deixam a figura feminina muito exposta. É preciso atitude para usá-las”, diz a stylist Emanuela Carvalho.
Os vestidos-bandagem de Hervé Léger surgiram em 1989 – registre-se aqui a inspiração no trabalho do tunisiano Azzedïne Aiala, que também fez uso de bandagens em suas criações. Quatro anos depois de lançar sua grife própria, o estilista queria surpreender o mundo da moda com um modelo ousado, para fechar seu desfile em grande estilo. No ateliê, Léger teria pegado tiras de elastano que iam para o lixo e começado a enrolá- las em um manequim. Surgia então a idéia para as peças que logo conquistariam o público feminino. No auge do frisson pelos modelos com bandagem, Léger chegou a vender duas mil peças – costuradas à mão e sob medida para os corpos que iriam vestir – em apenas uma temporada.
A nova coleção da BCBG, assinada pelo próprio Max Azria, fugiu um pouco das básicas listras horizontais coloridas tão características das peças originais. O revival ganhou novas apresentações, como saias e vestidos de uma manga só, além de detalhes com lantejoulas e plumas. A volta da moda das bandagens já está pegando por aqui. A paulistana Mixed fez sua versão da saia-bandagem e algumas socialites já arriscam circular pelo eixo Rio-São Paulo envolvidas nas tiras criadas pelo estilista francês. Em tempo: Léger deixou de produzir modelos com bandagem e agora se chama Hervé Leroux. Hoje, vende suas criações em um pequeno mas bem freqüentado ateliê na rue Jacob, em Paris.
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