“A inflação está controlada”
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala à ISTOÉ sobre as virtudes da Política de Desenvolvimento Produtivo e inflação:
ISTOÉ – O que sr. destaca na nova política industrial?
Mantega – Ela tem uma abrangência maior do que o projeto que lançamos em 2004. Atinge vários setores da economia brasileira e vai dar um forte estímulo para que a estrutura produtiva continue a investir no ritmo que está investindo hoje. Já estamos em velocidade de cruzeiro no que diz respeito aos investimentos. Há entusiasmo do empresariado. Queremos criar condições para que a capacidade produtiva cresça e o País fique competitivo em relação aos nossos concorrentes.
ISTOÉ – Também há um forte incentivo às exportações.
Mantega – Sim. Estamos num mundo globalizado. As empresas têm de atuar no mercado local e no mercado internacional. Tanto é importante a produção para atender ao mercado interno, que é robusto e vem se expandindo, como, também, aumentar a nossa participação no comércio internacional. O Brasil tem de ser um player de primeira qualidade. Mas, para isso, é preciso reduzir custos.
ISTOÉ – Como chegar lá?
Mantega – Temos de ampliar o financiamento e reduzir os custos financeiros, tributários e de infraestrutura. A nova política persegue exatamente esse objetivo. O BNDES reduziu o spread básico. Há uma linha de crédito de R$ 9 bilhões, chamada Revitaliza, cujas taxas de juros são de apenas 5,6 %. Crédito barato para o investidor e para o exportador. Existe também estímulo importante para o desenvolvimento tecnológico, para o treinamento de mão-de-obra e a tecnologia da informação.
ISTOÉ – E os incentivos tributários?
Mantega – Essa é uma parte importante. Estamos desonerando R$ 20 bilhões em quatro anos. Principalmente para o investidor, que vai gastar menos para renovar as máquinas. E também estamos desonerando a mão-de-obra, reduzindo a contribuição previdenciária em até 10%, no caso de exportação de TI. É um grande impulso.
ISTOÉ – A inflação não preocupa?
Mantega – A inflação é um fenômeno mundial que se deve ao choque de commodities. No ano passado, subiram as commodities agrícolas e este ano o petróleo e também os produtos metálicos. Mas estamos dentro da meta de 4,5%. É óbvio que houve elevação por causa do preço dos alimentos, que puxou um pouco para cima. Mas estamos tranqüilos. A inflação está controlada e continuará dentro das metas. Esse é um compromisso do governo e as medidas que tomamos não impedem que o crescimento continue. |