Mas grande parte dos pacientes desconhece essa informação. Segundo o estudo, 44% dos entrevistados, considerando todos os países, não usam medicamento quando estão bem. Pior. A pesquisa apontou que 46% dos participantes consideram que a asma não é tão grave a ponto de obrigá-los a se tratar todos os dias. Este é um entendimento extremamente perigoso. A asma pode matar. E mata. Números do Ministério da Saúde mostram que a enfermidade tira a vida de cerca de 2,5 mil pessoas todos os anos no Brasil. A doença também está entre as cinco principais causas de internação no Sistema Único de Saúde. Só em 2005 foram 327 mil pessoas hospitalizadas por causa dela.
Mesmo com essa realidade, convencer os pacientes da necessidade do uso freqüente de medicamentos é um desafio para os médicos. Foi só ao longo dos anos, por exemplo, que a relações-públicas Giuliana Gregori, de São Paulo, portadora da doença desde os três meses, aprendeu a se cuidar no dia-a-dia para evitar problemas. Hoje, o cuidado é tamanho que ela mantém no trabalho e em casa kits com todas as medicações que toma diariamente. “Do contrário, sei que corro o risco de ter novas crises. Sintome mais segura dessa forma”, diz ela.
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Outra razão que afasta os indivíduos do correto tratamento é o receio dos efeitos colaterais que os remédios podem causar e também o medo de que eles gerem dependência. Essas são justificativas comuns ouvidas no consultório, apresentadas principalmente por mães preocupadas. “Mas nada disso é verdade. As doses administradas diariamente são bastante reduzidas e não provocam esses problemas”, assegura Zuleid Dantas Mattar, presidente da regional São Paulo da Associação Brasileira de Asmáticos.
A pesquisa apontou outros problemas sérios. Nada menos do que 33% dos brasileiros disseram, por exemplo, desconhecer a origem dos sintomas. No entanto, identificar o que causa a crise é o primeiro passo para melhorar a qualidade de vida. E hoje se sabe que ácaro, poeira, fumaça de cigarro e pêlos de animais são os principais disparadores de crise. Por isso, o ideal é manter-se afastado desses gatilhos sempre que possível. Essa atitude foi adotada pela empresária Marli Fiorentin, mãe de Guilherme, cinco anos, Gustavo, três, e tia de Ana Paula, seis anos, que mora com a família em São Paulo. Marli reorganizou a casa para manter as crianças longe das crises. “Eliminei tudo. Brinquedos, tapetes e até o sofá de tecido. Além disso, sigo todas as recomendações médicas, como dar remédio diariamente a elas”, conta.
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PREVENÇÃO Giuliana deixa no trabalho os remédios que usa diariamente
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Para aumentar o nível de informação em relação à doença, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia firmou um termo de cooperação com o Ministério da Saúde. O objetivo é criar medidas educativas que ajudem na prevenção, no tratamento e na reabilitação dos pacientes. Com esse mesmo conceito, um movimento internacional liderado por organizações independentes como o Comitê Científico de Iniciativa contra a Asma, entidade que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde, estabeleceu novas diretrizes para diagnóstico e combate à doença. A nova determinação preconiza que as abordagens médicas não sejam focadas apenas na intensidade da doença – se leve, moderada ou grave –, mas principalmente se ela está controlada. “As medidas priorizam a qualidade de vida dos portadores”, diz o médico Marcelo Horácio de Sá Pereira, diretor médico do laboratório farmacêutico GlaxoSmithKline.
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