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REFORMA Na casa de Guilherme, Ana Paula e Gustavo, o sofá é de couro e não há tapetes |
Tosse, falta de ar, chiado e sensação de aperto no peito são sintomas bem conhecidos de pelo menos 20 milhões de brasileiros. Eles fazem parte de uma população que sofre de asma, doença inflamatória crônica que provoca o estreitamento das vias aéreas. A enfermidade não tem cura, mas se tratada adequadamente permite que o paciente tenha uma vida normal. Porém, uma pesquisa divulgada na última semana revelou que a asma é pouco compreendida e, por isso mesmo, muito mal controlada. O estudo, financiado pela empresa farmacêutica AstraZeneca, envolveu 1,8 mil pacientes de nove países, entre eles Inglaterra, Alemanha e Brasil.
Os dados nacionais revelaram um dos piores cenários entre os países analisados. De acordo com o estudo, os brasileiros só tratam a doença nos episódios de crise e desconhecem seus riscos, entre outros problemas. O resultado dos equívocos no entendimento da enfermidade ficou evidente nas conclusões sobre o impacto da asma na qualidade de vida. Para 91% dos entrevistados no Brasil, o mal interfere no sono, outros 72% relataram ser impedidos de executar tarefas domésticas, 64% disseram ter os compromissos sociais afetados e 55% contaram que a doença é uma das principais causas de faltas no trabalho.
O grande problema é que os indivíduos não entendem que a asma é uma doença crônica. Portanto, exige o uso diário de remédios mesmo fora das crises. “O paciente acredita que basta tomar a medicação para tratar o chiado, a tosse e a falta de ar e ele já está curado”, afirma o médico Antônio Carlos Lemos, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Na verdade, a crise é só a ponta do iceberg. A enfermidade se manifesta quando se entra em contato com um agente agressor como poeira, ácaro e pêlo de animais. Nestas circunstâncias, o sistema de defesa reage produzindo uma quantidade exagerada de anticorpos. Isso provoca a contração e o enrijecimento das fibras musculares dos brônquios, comprometendo o funcionamento das vias respiratórias. Esse processo leva a uma inflamação crônica, que deve ser combatida ininterruptamente com tratamento contínuo – ele consiste no uso de antiinflamatórios e broncodilatadores, remédios que relaxam a musculatura, favorecendo a circulação do oxigênio.
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