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''Desculpe, ministra Dilma''
Líder do DEM no Senado diz que não pretendia desrespeitar a chefe da Casa Civil e admite que o seu partido não tem falado para o povo

Por OCTÁVIO COSTA E RUDOLFO LAGO

ISTOÉ - A opinião pública critica a carga tributária, mas ao mesmo tempo é a favor de uma presença forte do Estado. Não é sintoma de um fosso entre o discurso do DEM e o pensamento da sociedade?
Agripino - Não sei se o que a sociedade quer é Estado forte. O PAC nada mais é que um elemento de reunião, com uma boa formulação de marketing, para um elenco de ação normal em qualquer governo. Todos os governos tiveram ação nas áreas de transportes, comunicações, saúde, segurança. Os convênios eram assinados nos gabinetes dos governadores ou nas sedes das prefeituras. Hoje, são assinados em praça pública pelo presidente da República. Cabe a nós, que temos uma consciência programática forte, mostrar os bons exemplos de diminuição do Estado. Eu pergunto: será que o Estado brasileiro seria capaz de entregar à população o número de telefones que a privatização produziu?

ISTOÉ - O sr. acha que a ministra Dilma Rousseff, como mãe do PAC, tem possibilidade eleitoral real para 2010?
Agripino - Há uma diferença entre a pessoa ser gestora de um programa como o que o presidente Lula entregou a ela e sua capacidade eleitoral. A avaliação da ministra como gestora ainda está por acontecer. Os primeiros números não são favoráveis. A ministra é apontada pelo presidente Lula como candidata, até em detrimento de outros pretendentes da base aliada. Alguns mais antigos. Ainda não vejo nela a adversária a ser batida. Até porque temos a consciência de que Dilma é uma gestora em estágio probatório. Segundo ponto: para ser um grande candidato você tem de ter traquejo político e capacidade de agregação. Ela ainda não foi testada nesses dois aspectos.

ISTOÉ - Esperava-se que a ministra ficasse intimidada no depoimento no Senado. Mas, a partir de sua polêmica questão de ordem, a ministra se saiu bem. Por que não foi possível à oposição emparedá-la?
Agripino - Aproveito essa entrevista a ISTOÉ para pedir desculpas à ministra Dilma Roussef. Reconheço que cometi um erro ao formular a pergunta que eu fiz à ministra, mencionando, de forma desnecessária e indevida, a entrevista em que ela relata episódios vividos quando foi presa e torturada pelo regime de exceção. Eu não pretendia afrontá-la, e muito menos desrespeitá-la. Mas assim foi interpretado, e, por isso, peço desculpas. Mas o que eu queria e continuo a querer é a verdade sobre o dossiê sobre gastos do governo FHC. Quem mandou fazer, onde foi e com qual objetivo.

ISTOÉ - O ministro Tarso Genro afirmou que o dossiê não tipifica um crime. O sr. concorda?
Agripino - Só falta o governo dizer que o vazamento do dossiê ocorreu por descuido. É querer iludir a boa-fé dos brasileiros. Já existem nove versões do governo com relação ao dossiê. Em uma ou duas versões, é colocado de forma clara pelo governo que as informações ali contidas eram sigilosas. Mais na frente, as informações deixaram de ser sigilosas. O ministro Tarso Genro ora diz que é crime, ora diz que não é crime. Para resolver isso tudo, só há uma saída: identificar onde o dossiê foi feito, por ordem de quem e com que objetivo.

ISTOÉ - O governo imputa ao senador Álvaro Dias responsabilidade pelo vazamento das informações.
Agripino - O senador Álvaro Dias terá a oportunidade de se explicar na CPI dos Cartões Corporativos. Seguramente, vai apresentar as suas razões, as circunstâncias nas quais seu assessor recebeu essas informações e o que foi feito delas. Eu confio no senador Álvaro Dias e acho que ele terá a oportunidade de dar os devidos esclarecimentos.

DESMOND MAX G PINTO
"Tarso Genro ora diz que é crime, ora diz que não. É preciso identificar onde o dossiê foi feito, por ordem de quem e com que objetivo"

ISTOÉ - Se o sr. recebesse o dossiê, procuraria a imprensa para vazá-lo?
Agripino - Eu faria um pronunciamento na tribuna do Senado. Se tivesse chegado para mim, dentro desse quadro em que eu perceberia claramente que haveria uma intenção de oferecer uma represália ou intimidação ao governo passado, eu teria ido à tribuna do Senado e denunciado claramente isso.

ISTOÉ - O DEM vem fazendo uma oposição mais radical do que o PSDB. A aliança do DEM com o PSDB está se aproximando do fim?
Agripino - Não. Em absoluto. Fizemos recentemente uma reunião em São Paulo com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen exatamente para afinar a atuação dos dois partidos do ponto de vista de estratégia de conduta. Os pontos de divergência não foram tratados até porque um fato ficou decidido: ninguém pode exigir que um partido ou o outro, se tem candidato forte numa capital, seja inibido ou obrigado a manter essa candidatura posta nas ruas. O ideal é que houvesse candidato único. Mas quem for para o segundo turno terá o apoio do outro. A identificação entre o PSDB e os Democratas no Senado foi, é e vai continuar sendo perfeita.

ISTOÉ - A perspectiva do DEM nas grandes capitais, nas eleições para prefeito, não é muito boa. Qual é sua previsão?
Agripino - Em primeiro lugar, acho que o Kassab, em São Paulo, está com um desempenho bom e tem grandes chances. No Rio, Solange Amaral está na luta e quem está na luta pode ganhar. Em Palmas, temos grandes chances. Em Porto Alegre, temos boas chances e também no Recife e em Salvador. Em Belém, a Valéria Pires é um grande quadro. Temos chances em diversas capitais importantes do País. Eu não vejo, na largada, um quadro desfavorável para o partido.

ISTOÉ - Como o sr. projeta a aliança para 2010? Os dois partidos estarão juntos numa única candidatura?
Agripino - Asseguro que por parte dos Democratas haverá o desejo de vitória, que vai estar acima de ambições partidárias. Em 2010 vai prevalecer o sentimento da racionalidade. Pelas conversas que temos tido, a relação dos Democratas e dos tucanos ensejará esse diálogo movido a compreensão.

ISTOÉ - Pelo peso de São Paulo, a tendência natural é o apoio do DEM à candidatura de José Serra?
Agripino - Isso vai ser considerado na época oportuna. É claro que a relação de Kassab é muito mais robusta com Serra. Mas o assunto 2010 só vai ser tratado depois das eleições municipais.

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16/5/2008


 
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