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LIVROS
Maior que Caxias
O general Osório, herói da Guerra do Paraguai, era mais popular do que o patrono do Exército brasileiro

GOSTO PELA PAZ Osório cultivava a camaradagem e gostava de escrever poesias

Exército brasileiro tem como patrono o marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, cultuado como herói nacional. Mas até o início do século XX, no imaginário popular e dos oficiais da caserna, herói mesmo era um de seus subordinados: o general Luís Manoel Osório (1808-1879), marquês do Herval. Nascido no Rio Grande do Sul, sentou praça com 14 anos, participou de todas as guerras ocorridas no Cone Sul e ganhou fama ao comandar as tropas do Brasil na Guerra do Paraguai (1865-1870) - e obteve vitórias decisivas, entre elas a de Tuiuti, a maior batalha campal já travada em terras sul-americanas. "Sua bravura beirou a irresponsabilidade, arriscando a vida em diferentes ocasiões, ao lutar corpo a corpo ou expor-se à vista do inimigo (...) A tropa o seguia mais pelo arrebatamento e por suas qualidades pessoais do que pela obediência", diz o historiador paulista Francisco Doratioto no livro General Osorio, que integra a série Perfis Brasileiros (Companhia das Letras, 256 págs., R$ 35,50).

O homem retratado por Doratioto não se encaixa no estereótipo de um general latino-americano. De origem humilde, ele ingressou contrariado no Exército obedecendo às ordens do pai, que era major das tropas imperiais e o levou à força aos quartéis. Ao contrário de Caxias, não chegou a se formar na Academia Militar. Mais ainda: empenhouse para que seus filhos não o seguissem na carreira. Ele cultivava a camaradagem de seus subordinados e gostava de escrever poesias. Ligado ao Partido Liberal, era avesso ao belicismo e ao caudilhismo, inclusive o militar. A rigor, Osório jamais aceitou o uso da força para atingir objetivos políticos e se recusava a pôr as armas com as quais combatera o inimigo externo "ao serviço do despotismo, de perseguições e de violência contra seus compatriotas". Essa máxima foi esquecida por seus pósteros, para os quais o Exército passaria a encarnar a Nação.



OSÓRIO FOI O SOLDADO MAIS ADMIRADO DA NOSSA HISTÓRIA E A PRINCIPAL COMEMORAÇÃO MILITAR BRASILEIRA JÁ FOI O ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE TUIUTI

 

CLÁUDIO CAMARGO


16/5/2008


 
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