Como ganhar dinheiro na bolsa A febre das ações contagia investidores em todo o País, embala sonhos de riqueza e produz novos milionários
ANA CLARA COSTA
Dupla milionária
Quando se casaram, em 1998, os engenheiros Marco Falcone e Regina Tesima, de Curitiba, não tinham grandes pretensões financeiras. Entraram na bolsa investindo em Petrobras e Bradesco. Em apenas dois anos, conseguiram 75% de lucro. Venderam os papéis para comprar a casa própria. Depois de aprender a operar por meio de um simulador, recomeçaram a investir em ações. Os R$ 10 mil iniciais e novos aportes mensais viraram R$ 100 mil. Hoje, possuem um patrimônio de R$ 1,1 milhão.
Engordando a pensão
Laura Ferreira, 73 anos, é aposentada e mora no Rio de Janeiro. Começou a investir em ações nos anos 1970. Com as repetidas crises econômicas, saiu da Bolsa é só voltou em 1996. “Voltei para reforçar a minha aposentadoria. É uma poupança para quando eu precisar, já que servidor público não recebe aumento”, queixa-se. Metade de suas aplicações está em ações como Petrobras, CSN, Vale e outras blue chips. Tentou investir em papéis de segunda linha, mas desistiu. “Trabalhar em curto prazo com pouco capital não compensa.”
Do milhão ao bilhão
O empresário Lirio Parisotto, dono da fabricante de CDs e DVDs Videolar, transformou aplicações de R$ 180 milhões em R$ 1,6 bilhão. Sua carteira tem 12 papéis (leia quadro abaixo) e valorizou-se 19% em 2008, mais que o dobro da alta do Ibovespa. “Não olho a Bolsa todo dia, reinvisto tudo o que ganho e alugo todas as ações que puder”, diz. O aluguel, no caso, é um sistema da Bovespa (o banco de títulos BTC) que permite aumentar a rentabilidade das ações emprestando-as por um período determinado. “Dá para ganhar mais 2% a 3% ao ano”, diz. Aos 54 anos, ele pretende investir em ações o resto da vida. Se tudo der certo, em breve abrirá seu fundo particular para outros investidores. E o que fará com tanto dinheiro depois? “Vou deixar um pouco para minha filha e o resto vou doar”, anuncia.
Os fundos de ações são a porta de entrada para os marinheiros de primeira viagem na Bolsa. Quem prefere investir diretamente e escolher seus próprios papéis pode fazê-lo de sua própria casa, pela internet. Os sites dos bancos e das corretoras conectam seus clientes à Bovespa por meio de um sistema conhecido como home broker. Basta clicar e navegar para dar ordens de compra e venda de ações. Os computadores se encarregam de tudo. As instituições cobram por este serviço (leia quadro abaixo) e, além da intermediação, oferecem relatórios sobre setores e empresas aos clientes mais assíduos. “De nossos 70 mil clientes, 40 mil operam sozinhos no home broker”, afirma Helio Pio, diretor comercial da Ágora.