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Como ganhar dinheiro na bolsa
A febre das ações contagia investidores em todo o País, embala sonhos de riqueza e produz novos milionários

ANA CLARA COSTA

O físico paulistano Igor Kazakos, 27 anos, sonha em alcançar o seu primeiro bilhão de reais. O empresário gaúcho Lirio Parisotto, 54, já chegou lá e caminha a passos largos para a marca de R$ 2 bilhões. A família Ferderbar, da foto ao lado, tenta seguir o mesmo caminho. Em comum, todos dividem uma paixão que conquista cada vez mais brasileiros: a Bolsa de Valores. A possibilidade de lucrar com ações – de preferência muito dinheiro e bem rápido – atrai milhares de pessoas em todo o País. Já são quase 500 mil pessoas cadastradas na Bovespa, a maior Bolsa da América Latina. Essa febre financeira se espalha rapidamente, desta vez com o reforço da influente agência de classificação de risco americana Standard & Poor’s. A S&P elevou o Brasil no final de abril ao status de destino seguro para investimentos. Com isso, o otimismo com o desempenho das companhias brasileiras aumentou e novos dólares foram enviados para cá. O Ibovespa, índice que mede a valorização dos papéis mais negociados na Bovespa, disparou e ultrapassou a marca dos 70 mil pontos pela primeira vez na segunda- feira 5. Novas fortunas foram feitas de um dia para o outro e a alta da Bolsa no ano chega a 8%, em média. E você, já embarcou nessa onda? Se quer ganhar dinheiro com ações, mas não sabe o caminho das pedras, comece virando a página.

Família unida
O empresário Osmir Ferderbar, 43 anos, investe em ações há seis anos. A esposa, Francis, 42, há três. E a filha Karen, 15, começou este ano a freqüentar um clube de investimento. Francis é viciada na Bolsa. Administra a carteira da irmã e convenceu parentes e vizinhos a investirem em ações. Sua tia, Meires Margarete Rodrigues, de 52 anos, destina R$ 200 por mês para a Bolsa. “Já ganhei muito dinheiro com a Telemar e a Redecard”, diz Francis. Sua carteira própria começou com R$ 1 mil e chegou a R$ 100 mil. O segredo? “Compro a ação na baixa e vendo na alta.” Duro é saber a hora certa. “É preciso ter segurança, estudar o mercado e acompanhar o noticiário”, aconselha.

Novato destemido
Aos 30 anos, Estevan Garcia, de São Paulo, é novato na Bolsa. Começou em dezembro passado. Não leu nada sobre investimentos nem procurou nenhum especialista antes de aplicar R$ 10 mil em ações da Vale. Quando os papéis despencaram no início do ano, ficou preocupado. “Comecei perdendo”, lamenta. Pouco a pouco, o papel foi se recuperando e acumula 9% de valorização em 2008. “Quero deixar esse dinheiro lá por, no mínimo, oito anos”, conta. Agora, ele é um leitor ávido de notícias sobre o mercado financeiro e, obviamente, a Vale. Também teve que aprender a ler os balanços da companhia. “Não me importo em correr riscos.”

O primeiro passo é entender o que é a Bolsa de Valores e o que acontece lá dentro. Não se trata de um cassino, nem de um jogo de cartas marcadas. A bolsa nada mais é do que um mercado organizado e seguro no qual se negociam ações e outros títulos emitidos pelas empresas que necessitam de capital para crescer. Uma ação é a menor parte do capital de uma companhia e, ao comprá-la, você se torna sócio e tem direito a uma fatia proporcional dos lucros gerados pelo negócio. Receberá, em sua conta corrente, os dividendos merecidos (leia glossário). Os preços das ações são livres e oscilam conforme a oferta e a demanda, refletindo não apenas as perspectivas de lucro das empresas como as expectativas econômicas de investidores e especuladores.

Cada vez que a Petrobras faz uma nova descoberta de petróleo, suas ações sobem. Da mesma forma, lucros menores que o esperado derrubam os papéis. Diariamente, cerca de R$ 6 bilhões em ações trocam de mãos na Bovespa. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa oscilou 58% entre a cotação mínima (44.937 pontos) e a máxima (70.973 pontos). Ou seja, aplicar na Bolsa é um negócio de alto risco. Antes de se aventurar nesse mercado, é necessário decidir se é realmente o tipo de investimento mais indicado para o seu perfil. “A pessoa tem que estar ciente de que pode perder dinheiro”, aconselha a engenheira Regina Tesima, de Curitiba.

Do salão ao pregão
A cabeleireira Cristiane Litrico, 31 anos, enxergou na Bolsa a melhor oportunidade de fazer crescer seu modesto patrimônio. Em dezembro, pagou R$ 1,8 mil por 91 ações da BM&F. Na mesma semana, poderia ter retirado R$ 2,2 mil, mas preferiu não mexer no dinheiro. “Soube de um rapaz que ficou rico assim, deixando o dinheiro três anos na Bolsa. E a minha idéia é ficar rica.”

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14/5/2008


 
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