"SÃO PAULO NÃO PODE SER OBJETO DE TROCA POLÍTICA"
Na quinta-feira 8, o ex-governador Geraldo Alckmin recebeu ISTOÉ em seu escritório. Durante 40 minutos, ele mostrou entusiasmo com a candidatura a prefeito e mandou alguns recados àqueles que não aceitam que o PSDB tenha o seu próprio candidato.
ISTOÉ - Como entrar numa disputa com um partido dividido?
Alckmin - Não há racha no PSDB. Há uma pequena lasca e acredito que pode nem haver disputa na convenção. Mas, se tiver, não tem importância.
ISTOÉ - O sr. acredita mesmo que o governador José Serra possa abrir mão de apoiar o prefeito Gilberto Kassab?
Alckmin - Ele já esteve comigo e disse com todas as letras: 'Olha, se você for o candidato do PSDB, não tem maiores discussões.' Aliás, foi isso o que fiz quando Serra foi candidato a prefeito de São Paulo. Meu incondicional apoio a ele em 2004 foi decisivo. Ajudei a quebrar um tabu de mais de 40 anos, porque desde 1961 o governador de São Paulo não elegia o prefeito da capital.
ISTOÉ - Mas o Serra tem um projeto pessoal, presidencial, e para isso a aliança com o DEM é fundamental.
Alckmin - O projeto do Serra só se fortalecerá com o fortalecimento do PSDB. Serei eleito prefeito de São Paulo. Em 2010 não serei candidato a nada e vou trabalhar para unir o partido. Além disso, não podemos definir 2008 por 2010.
ISTOÉ - Os kassabistas dizem que o sr. precisa abrir espaços, que o sr. quer disputar todas as eleições possíveis.
Alckmin - É o PSDB que legitimamente quer ter sua candidatura. Sempre teve, desde a sua fundação. O Serra foi três vezes candidato a prefeito de São Paulo.
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"Meu incondicional apoio foi decisivo para o Serra ter sido eleito prefeito em 2004" |
ISTOÉ - O acordo com o DEM não é uma necessidade da cúpula tucana?
Alckmin - A política moderna ouve a sociedade e os partidos precisam ouvir a militância. Acordo de cúpula é coisa atrasada, superada. No caso de São Paulo, a cidade não pode ser objeto de troca política.
ISTOÉ - Não são tradição no PSDB as decisões de cúpula?
Alckmin - O PSDB, depois de 20 anos, está tendo uma aproximação com as bases, com seus militantes. O partido precisa se modernizar, estabelecer democracia interna, decisões internas mais abertas.
ISTOÉ - O sr. não teme que a força das máquinas administrativas do Estado e do município possam influir na convenção tucana?
Alckmin - Não acredito que máquinas de governo venham a ser utilizadas para prejudicar a candidatura do PSDB. O PSDB sempre teve candidato em São Paulo, é o partido mais forte e tem candidato competitivo. |