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Moda verde e chique
Peças de material reciclado com design e recursos originais dão glamour à onda ecológica

LEOLELI CAMARGO

ECOCHIQUE O vestido é de fibra de maconha, mas parece seda. À dir., sandália feita com latas de alumínio

Consciência ecológica no guarda- roupa não precisa ser sinônimo de calças cáqui e camisetas de algodão orgânico. Em todo o mundo a preocupação com o planeta está dando fôlego ao ecochique, um movimento da moda e do design que se afasta cada vez mais do estereótipo do ecochato.

Baseada em materiais reciclados e técnicas de feitio menos prejudiciais ao ambiente (leia quadro), uma moda bonita, descolada e criativa está amadurecendo no cenário fashion. De tecido feito com fita cassete ao jeans ecológico, os exemplos pipocam. Neste ano, a Semana de Moda de Londres, pela qual passam editores das revistas mais influentes do planeta, abrigou a quarta edição da Esthetica, uma das maiores feiras mundiais de moda ecologicamente correta. No mês passado, Nova York foi sede do segundo Project Earth Day, um desfile em que estudantes e designers profissionais mostraram que é possível fazer – e vender – roupas com materiais reciclados e tecidos delicados, feitos com fibras orgânicas e cultivadas de forma sustentável. A marca americana Beck(y), de Manhattan, produz carteiras de festa, fivelas de cinto e bolsas feitas com tábuas de skate recicladas. Outra americana, a Viridis Luxe, tem uma coleção produzida com uma espécie de seda proveniente da planta da maconha, bem diferente dos tecidos grosseiros que circulam por aí em tênis e moletons.

FASHION À cima, a madeira da bolsa já foi shape de skate. Abaixo, sacola de revistas recicladas dos anos 50

Os europeus também produzem grandes idéias. A designer de sapatos inglesa Georgina Goodman criou sandálias com alumínio de latas recicladas. Outro britânico, Edson Raupp, bolou uma sacola feita só com ternos de grife usados. Os italianos da Momaboma resolveram dar um visual retrô às bolsas de revistas recicladas e usaram exemplares dos anos 50 e 60, conseguindo um resultado muito bonito.

As peças, vale dizer, não são baratas. São produtos diferenciados, alguns feitos manualmente, destinados a um público consumidor de luxo. “São itens para formadores de opinião. Além disso, muitas tecnologias ainda estão em processo de difusão, o que aumenta o preço dos produtos” explica Cyntia Malaguti, professora de ecodesign do curso de moda do Senac.

 


14/5/2008


 
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