Gilberto Carvalho, 57 anos, começa a trabalhar às 8h30. Às 8h45, pontualmente, entra no gabinete presidencial para participar do briefing que Franklin Martins dá a Lula com os principais assuntos do dia. Hora para encerrar o expediente, isso ele não tem. Também nunca reclama do ambiente de trabalho no Palácio do Planalto: “Na verdade, é um dos melhores que já tive na vida”. Incomoda-lhe, no entanto, o fato de ter que administrar, vez ou outra, a fogueira das vaidades no governo, mas isso não o tira do prumo por mais de cinco minutos: “Faz parte do jogo da política.”
A amizade entre Lula e seu chefe de gabinete foi pavimentada ao longo de duas décadas de convivência, desde que os dois se conheceram em 1980 nos primórdios do PT. Nunca, no entanto, a relação foi tão íntima como agora. A única divergência acontece no futebol, porque Lula é corintiano e ele, palmeirense. “Mas mesmo isso está diminuindo”, diz Carvalho, referindo-se ao fato de um dos filhos de Lula, Luís Cláudio, ser auxiliar do técnico do Palmeiras, Wanderley Luxemburgo. “O Lula tem torcido pelo Palmeiras”, entrega o jogo o chefe de gabinete da Presidência da República.
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GOLBERY Ele preparou o golpe mas desmontou a ditadura |
À sombra do poder
O general Golbery do Couto e Silva (1911-1987, foto) foi o caso mais conhecido de “eminência parda” do Brasil. Um dos ideólogos do golpe militar de 1964, ele tornou-se o principal artífice da “reabertura” do presidente Ernesto Geisel, que resultou em 1979 na Anistia e no fim do AI-5. Usada para designar personagens de bastidores que exercem forte influência sobre os governantes, a expressão “eminência parda” (eminence grise) surgiu na França no século XVII. O cardeal de Richelieu (1585-1642), o todo-poderoso primeiro- ministro do rei Luís XIII, era conhecido como “eminência vermelha” em decorrência do tratamento dispensado a cardeais, do hábito vermelho e do seu poder. Influente, seu conselheiro François Leclerc, marquês de Tremblay, conhecido como Père Joseph (frei José), ganhou o apelido de eminência parda, também em referência ao seu poder e à cor de seu hábito de capuchinho.
CLÁUDIO CAMARGO
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