Às 18h25 da terça-feira 22 de janeiro deste ano, Manuel telefonou para José Carlos Guerreiro - sócio da Thermaq Terraplanagem, empresa que, segundo a PF, também emitiu notas frias para a Prefeitura de Praia Grande - e disse: "Vocês não acreditaram que iria sair verba do BNDES, mas, se trabalhar direitinho, esse ano vem R$ 100 milhões e fica ainda faltando R$ 30 milhões." Na mesma conversa, Manuel informou que para as Lojas Marisa tirou do banco R$ 270 milhões. Em todos os diálogos interceptados com autorização judicial, Manuel buscou encontrar formas de conseguir notas fiscais frias pagando menos impostos. Ele sempre afirma que as notas emitidas por Mantovani e José Carlos estão caras demais. "Havia uma rede de intrigas entre eles. Um sempre tentava passar a perna no outro", diz um dos delegados que participaram da investigação. Agora, a PF trabalha para identificar uma pessoa tratada pelo grupo como HNI. Isso porque os policiais suspeitam que seja essa pessoa a responsável por fornecer novas notas frias. Em 22 de janeiro deste ano, Manuel telefonou para HNI e disse que tinha um negócio para ganhar dinheiro. "É aquele lance do BNDES. A primeira nota já foi emitida e eu arrumei 500, mas esta foi feijão com arroz. Tem que fazer um negócio a menor, o que você consegue?". HNI respondeu dizendo que iria avaliar o problema.

Para que possam ter continuidade, as investigações da Polícia Federal sobre o "Esquema BNDES" precisam ter o aval do STF porque esbarraram em dois deputados federais. O primeiro foi Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical. Segundo os documentos, em 23 de janeiro de 2008, às 14h46, Manuel telefonou para Boris Timoner - consultor das Lojas Marisa e também apontado como membro do esquema, que, além de trabalhar para fraudar os financiamentos do BNDES, agenciava garotas para a casa noturna de Manuel -, e detalhou os acertos finais relativos ao repasse de verbas para Praia Grande. Disse que o grupo ficaria com R$ 2,6 milhões, cada vez que fossem liberados R$ 20 milhões. Explicou que metade desse dinheiro (R$ 1,3 milhão) precisava ir para Mantovani, "porque ele assumiu o Paulinho, o Tosto e o José Gaspar". De acordo com a PF, Paulinho é o deputado do PDT paulista, Tosto é o advogado Ricardo Tosto, membro do Conselho de Administração do BNDES indicado pela Força Sindical, e José Gaspar é o vice-presidente do PDT em São Paulo. Reforça a tese da polícia um telefonema dado em 11 de fevereiro, às 17h52. Nessa gravação, Mantovani informou a Moura que já tinha recebido sua parte da propina referente ao esquema da Praia Grande e que "separou a parte de RT e de PA". Segundo a PF, trata-se de Ricardo Tosto e de Paulinho.
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