Nos telefonemas gravados, os negócios da prostituição se misturavam ao desvio de dinheiro público. São conversas que expõem casos de tráfico de influência e desnudam um corriqueiro uso de notas fiscais frias para justificar os pagamentos liberados pelo BNDES. No caso da Praia Grande, até a semana passada, R$ 40 milhões já tinham sido liberados. Na terça-feira 29, porém, depois que o esquema se tornou público, o BNDES comunicou a suspensão do financiamento. Em entrevista coletiva, o presidente do Banco, Luciano Coutinho, disse que se tratava de uma medida preventiva e que não acreditava na possibilidade de fraude. Avisou que o BNDES, que no ano passado investiu R$ 70 bilhões, não trabalha com intermediários e que tudo é fiscalizado com rigor absoluto. "Senhores empresários, tratem diretamente com o Banco", disse ele.
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AFASTADO Saad, chefe da PF em São Paulo, foi substituído |
A investigação da PF desmonta as assertivas do presidente do banco e revela que há, sim, falhas nos sistemas de fiscalização. Na página 7 do relatório confidencial 004/2008, a PF informa que na sexta-feira, 14 de dezembro do ano passado, às 20h34, Moura telefonou para Manuel e lhe passou a informação privilegiada de que uma equipe técnica do BNDES iria a Praia Grande para verificar notas fiscais e obras. Diz, ainda, que o pagamento iria sair entre quarta e quinta- feira da semana seguinte. Na mesma conversa, Moura revela estar preocupado porque recebera a informação de que o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), pretendia ir à sede do BNDES no Rio de Janeiro. "Avisei para ele não ir porque lá o cara é ligado ao José Dirceu e vai querer morder uma grana. Não precisa disso porque os caras que vão fazer a vistoria em Praia Grande são os caras que vão liberar o dinheiro", disse Moura ao chefe Manuel, demonstrando saber detalhes do que se passa no interior do BNDES. Quatro dias depois, em conversa com Marcos Vieira Mantovani - empresário, sócio da Progus Investimentos Consultoria e Assessoria Ltda., uma das empresas que, segundo a PF, forneciam notas fiscais frias para o grupo -, Manuel informou que a auditoria estava terminada e programou pagamentos da seguinte maneira: "R$ 20 milhões na sexta ou na próxima segunda, nos primeiros dias de fevereiro mais R$ 10 milhões, em 31 de março mais R$ 16 milhões, 30 de junho R$ 16 milhões, mais R$ 16 milhões por trimestre e o restante em 2009."

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