ISTOÉ – É uma tendência que o lazer fique cada vez mais caro nas grandes cidades?
Edginton – Há uma diferença nas experiências das pessoas que moram em centros urbanos e as que vivem em lugares mais próximos da natureza. As segundas pescam, bebem cerveja, conversam, o lazer é mais informal. Nas grandes cidades, ele é mais estruturado – em edifícios, espaços designados, como cinemas e museus – mesmo os parques são lugares formais. Custa mais caro construir estruturas para o lazer nas áreas urbanas do que numa área mais informal. Isso não significa que não temos oportunidades mais casuais nas metrópoles: se você considerar lazer um estado de espírito, 95% das nossas experiências ocorrem em ocasiões sociais breves – como, por exemplo, quando saímos para o corredor e conversamos rapidamente antes de voltar ao trabalho. Mas o fato é que grande parte do lazer nos centros urbanos é feita dentro das residências. As pessoas ficam em seus casulos, como borboletas, com toda a sua tecnologia, porque é seguro. Trancamse as portas e as conexões são mantidas através do computador, do iPod, do iPhone.
ISTOÉ – Modernidades tecnológicas servem para aproximar
| “Por segurança, as conexões entre as pessoas são mantidas pelo computador, pelo iPod e pelo iPhone" |
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ou distanciar os indivíduos?
Edginton – Para ambos, na verdade. Nós conhecemos o lado da tecnologia avançada da sociedade, mas será que entendemos o lado do contato humano avançado? As pessoas acham que podem se relacionar através de um toque no computador, mas o que realmente acontece nessas experiências online? Elas são apenas fantasia. Quando conversamos cara a cara, temos que nos relacionar em todos os aspectos como seres humanos. É uma convivência muito diferente da que praticamos através de uma máquina. O contato humano é muito importante e os ambientes voltados para o lazer criam oportunidades para todos manterem contato real entre si e com o mundo. Se acreditamos em valores humanos e na sociedade, isso sempre será importante.
ISTOÉ – Que metrópole no mundo seria exemplo na oferta de opções à população?
Edginton – Hong Kong é um grande exemplo de sociedade urbana que desenvolveu um fantástico sistema de lazer público e privado. Todo bairro tem um centro que oferece uma vasta gama de opções, como prédios com atividades físicas em um andar, biblioteca em outro, aulas de reforço para crianças em dificuldade na escola e um mercado de produtos saudáveis no piso térreo. Comunidades evoluídas também prezam a preservação de seus espaços – não há grandes cidades sem grandes parques.
ISTOÉ – O lazer é um jeito de medir o grau de democracia de uma sociedade?
Edginton – Se o lazer é liberdade, e a liberdade é essencial para uma vida e um aprendizado democráticos, então a resposta é sim.
ISTOÉ – Há alguma parte do mundo em que as pessoas simplesmente não têm lazer?
Edginton – O conceito de lazer está presente em todas as culturas, mas a indústria do lazer está estabelecida apenas em países desenvolvidos. Essa é a diferença.
ISTOÉ – Pessoas ricas se divertem mais?
Edginton – Não há relação direta entre a quantidade de dinheiro que você ganha e sua satisfação com o lazer. Há muito trabalho científico sendo feito recentemente na área de psicologia sobre a alegria humana. A maioria das pessoas bem ajustadas, por exemplo, é de classe média. Há alguns sistemas sociais e econômicos que geram fartura e todos podem tirar proveito disso. Mas há outros sistemas, como o socialismo e o comunismo, que não parecem funcionar efetivamente para gerar o tipo de inovação e criatividade que você encontra em sociedades capitalistas. Claro que as sociedades capitalistas tem seus pontos fracos também. Mas acho que não precisamos satanizar as empresas, e sim colocálas para trabalhar a nosso favor. Devemos encontrar um jeito de nos beneficiar dessa capacidade de gerar enriquecimento, inovação e criatividade.
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