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ESPAÇO
A colonização da Lua
Após 36 anos da última viagem do homem à Lua, a Nasa anuncia a construção de bases habitadas no satélite natural da Terra

ARTE: RICA SOBRE FOTOS NASA

Os EUA estão recebendo ajuda de pesquisadores da Agência Espacial Européia (ESA), que apresentou a tese de "agricultura sustentável em solo lunar". A proposta foi feita pelo cientista Bernard Froing. Ele sugere a instalação de estufas que protegeriam as sementes plantadas na Lua e possibilitariam observar como as condições ambientais agiriam no crescimento de vegetais. "Existe a possibilidade de que plantas se desenvolvam usando certos tipos de bactérias que extrairiam do solo os nutrientes para permitir a vida", diz Froing. "Uma planta é um miniecossistema e, assim, ela pode nos abrir caminhos de estudo." O que o leva a falar com tanta convicção é uma experiência realizada por uma equipe científica da Ucrânia que, recentemente, conseguiu fazer margaridas crescerem em um composto de anortosita, tipo de rocha terrestre parecida com as rochas encontradas no satélite. "Em dez anos será possível criar pequenos jardins, cuidados por robôs, para que os astronautas tenham o seu paraíso de flores", diz Froing. Sabe-se que uma das maiores dificuldades para a sobrevivência de plantas na Lua é a forte radiação que ela recebe, uma vez que não possui atmosfera. Mas há soluções que a ciência já vislumbra: uma delas é a utilização de bactérias que protegeriam as plantas dessas radiações. Outro problema que receberá atenção especial da Nasa é o lixo espacial. Atualmente existem cerca de duas toneladas de detritos criados pelo homem vagando em torno da Terra. Centenas de quilos ficam depositados temporariamente na Estação Espacial Internacional até que uma espaçonave vá retirá-los, trazendo- os de volta. Esse é o método de "coleta" mais eficiente, já que os objetos são destruídos ao entrarem em contato com a atmosfera. Para garantir a segurança, geralmente utiliza-se o oceano como ponto de queda desse lixo.

RENOVAÇÃO A frota Discovery será substituída pela moderna Ares, capaz de transportar 130 toneladas

Muito mais do que obstáculos, a Lua pode oferecer um mar de mistérios aos seus futuros habitantes. Um deles provavelmente será a sua face oculta, que em 1959 teve suas primeiras imagens reveladas. Surpreendentemente, elas mostraram que esse lado escuro não possui "mares", como são chamadas as grandes planícies de lava que podem ser observadas no lado "claro", voltado para a Terra. O lado oculto é composto por um terreno acidentado e marcado por crateras e pouquíssimas planícies. Esses fatores, somados à temperatura média de 100 graus negativos, descartam por enquanto a sua exploração. A linha espacial Ares, que protagonizará a nova empreitada, já está pronta e recebe novos foguetes e equipamentos. Serão de dois tipos: o Ares I, equipado com cinco pequenos foguetes de combustível sólido e um motor de combustível líquido feito com oxigênio e hidrogênio (combustível que os cientistas produzirão na própria Lua), será capaz de levar 25 toneladas de carga até a órbita baixa da Terra. Já o Ares V é um carga-pesada, capaz de colocar em órbita nada menos do que 130 toneladas a cada viagem. Serão cinco motores de combustível líquido. Esse gigante mede 110 metros de altura. Apoiando a missão e todos os esforços da ciência para se superar, a mente inquieta de Stephen Hawking aponta o único provável caminho para todos nós: "Se a raça humana vai continuar por outro milhão de anos, teremos de ir aonde ninguém jamais foi."

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30/4/2008


 
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