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ESPAÇO
A colonização da Lua
Após 36 anos da última viagem do homem à Lua, a Nasa anuncia a construção de bases habitadas no satélite natural da Terra

ARTE: RICA SOBRE FOTOS NASA

TOBIAS SCHWARZ/REUTERS

"Para a raça humana sobreviver ao tempo é preciso ir até onde ninguém jamais foi"

Stephen Hawking, astrofísico britânico

"Esse é um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a humanidade", disse o astronauta americano Neil Armstrong no dia 20 de julho de 1969, ao descer do ônibus espacial Apollo 11 e provar ao mundo, com poesia na alma e os pés no chão, que o espaço começava a ser conquistado: Armstrong pisou a Lua. Naquele momento, ele sabia que estava dividindo via satélite a sua glória com cerca de um bilhão de terráqueos, à época um terço da humanidade que viu emocionada pela televisão a sua conquista após quatro dias de viagem. Esse foi o ponto culminante da corrida espacial em que se empenhavam os EUA e a hoje extinta União Soviética, desde 1957, quando Moscou anunciou o lançamento do Sputnik, primeiro satélite artificial da Terra. A partir de Armstrong, os americanos, com o projeto Apollo, realizaram seis missões rumo à Lua, colocando 12 astronautas em seu solo. No ritmo frenético em que a Nasa trabalhava, acreditava-se que em pouco tempo muitos cientistas já a estariam explorando. O programa travou, no entanto, em 1972: a Lua já não era um troféu da Guerra Fria entre o mundo capitalista e o comunista e também financeiramente já não interessava mais. Esqueceu-se da Lua. Na semana passada anunciou-se que ela volta agora a ser o objeto do desejo da corrida espacial. Em comemoração aos 50 anos da Nasa, Carl Walz, um dos diretores da área de missões de exploração da agência americana, anunciou a construção de instalações que permitam aos astronautas estadas de até seis meses na Lua. Segundo os especialistas, esse será o maior salto para a humanidade em meio século de exploração e abrirá definitivamente as portas para a colonização do nosso satélite.

O anúncio desse novo projeto dos EUA teve o apoio total de uma das mais brilhantes mentes dos tempos atuais, o astrofísico britânico Stephen Hawking: "O homem deve persistir na exploração do espaço com a mesma ambição com que se lançou à conquista de um novo mundo após a chegada de Cristóvão Colombo ao território americano em 1492." Hawking disse ainda que a busca pela sobrevivência fora da Terra poderá levar seres humanos a descobertas magníficas no campo da ciência e da medicina. Muito atenta ao discurso do gênio, a equipe da Nasa detalhou a construção das bases colonizadoras. "Necessitamos estabelecer períodos de presença humana de até seis meses, como fazemos atualmente na Estação Espacial Internacional (ISS)", disse Walz. "Vamos desenvolver sistemas de transporte, vamos viver na Lua, trabalhar na Lua, construir infra-estruturas e utilizar recursos da Lua." Para isso, as futuras bases espaciais serão construídas com o avançado material chamado aerogel, feito com gás carbônico e dono da incrível vantagem de ser tão leve como o ar. O setor de habitação funcionará com eletricidade gerada através de painel de luz solar e um sofisticado sistema de mobilidade permitirá que cientistas se desloquem de um ponto a outro. Os pesquisadores trabalharão nas infra- estruturas que serão montadas e, até 2010, estará pronta a nova frota de ônibus espaciais, chamada Ares. "Todo o material recolhido e as imagens obtidas nas últimas décadas ajudaram a dar sustentação ao novo projeto", diz Walz. "E caso não se confirmem os indícios de existência de gelo no subsolo lunar, ou seja, caso não possamos ter água, estudaremos métodos de superação desse obstáculo."

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30/4/2008


 
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