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Brasil  
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A inteligência do PCC
Escutas telefônicas revelam que líderes do grupo criminoso querem montar esquema para espionar autoridades e participar das eleições

SÉRGIO PARDELLAS

O advogado Wesley teve prisão preventiva decretada pela Justiça para evitar que continuasse se comunicando com a cúpula do PCC. O advogado foi considerado pela polícia uma das peças mais importantes no plano da facção de criar a central de monitoramento e escuta clandestina e se infiltrar na política. No jargão dos líderes do PCC, atuava como uma espécie de pombo-correio. Além de ser ligado a Carambola e Canônico, Wesley tinha uma relação de confiança com o chefão Marcola. Nos diálogos com os líderes da organização criminosa, o advogado disse que foi numa conversa com Marcola que ressurgiu a idéia de a organização criminosa ter representação política. Depois dessa conversa, foi organizada uma passeata patrocinada pelo PCC em frente ao Congresso, em novembro de 2007. Na ocasião, a facção fretou ônibus em mais de dez Estados para protestar contra o descumprimento da Lei de Execuções Penais.

TRECHOS DAS CONVERSAS ENTRE O ADVOGADO SÉRGIO WESLEY E OS CHEFÕES DO PCC DANIEL CANÔNICO E JULINHO CARAMBOLA EM JANEIRO DE 2008

O "GUARDIÃO"

Sérgio Wesley - Agora, aquele equipamento que eu te disse custa R$ 700 mil, que é o Guardião. O Gaeco tem. Daniel Canônico, o Cego - Qual é a forma de pagamento?
Wesley - ...Eu preciso ver porque a empresa parece que não vende. Não está autorizada a vender para pessoas físicas. Só vende para pessoa jurídica ou governamental. Então o que tem que fazer? A gente tem que abrir uma firma em nome de um laranja, uma firma de segurança ou alguma coisa parecida, e comprar através da firma. É lá no Rio Grande do Sul.
Canônico - E se precisar... Se precisar o senhor ir para Miami para comprar qualquer tipo de aparelho, pode ir! Julinho Carambola - Tem que comprar essas máquinas aí!
Wesley - Eu com um negócio desses na mão e com treinamento, eles tão f... Eu cato todos. Tenho todos os telefones dos tiras ali dentro. Do Rui Ferraz eu tenho o telefone dele. Então, através disso daí, a gente vai expandindo. Ele grava 1.300 ligações simultâneas.

CELSO JUNIOR/
NÚMERO 2 Carambola pediu levantamento de políticos para Sérgio Wesley

COMO A MÁFIA

Wesley - O negócio é a gente fazer negócio, ganhar dinheiro e é lógico: crescer na parte ideológica. Você não vê, na Itália a Cosa Nostra, no Japão a Yakuza, o negócio é se estruturar. É com informação, com material humano bom, é com inteligência, sigilo.

IDEOLOGIA

Carambola - A ideologia nossa é além do crime, entendeu?
Wesley - Eu sempre falei pro Marcos (Marcola), uma vez que conversei com ele, longamente, olho no olho: Marcos, a gente precisa ter uma representação política.

ELEIÇÕES

Wesley - Tem o Kassab, o menino do PSDB. Eu vou te passar a relação de nomes, porque eu tô definindo ainda. O que a gente precisa assim: tem aqueles pré-candidatos, que cada partido tem três ou quatro...

MALUF

Wesley - Eu trabalhei na campanha do Paulo Maluf há uns 15, 20 anos atrás e eu sei como é o esquema todinho, entendeu? E o dinheiro é em cash, tava lá na avenida Brasil, os meninos foram até pra pegar lá.
Carambola - Faz esses levantamentos, tá bom?
Wesley - Com certeza, porque meu interesse é ganhar dinheiro também.


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30/4/2008


 
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