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| “Os pais de crianças com doenças raras têm o direito de lutar para ter acesso aos novos tratamentos" |
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ISTOÉ – Para os laboratórios farmacêuticos, essa “indústria de liminares” é um bom negócio?
Vianna – É. Eles acabam conseguindo vender seus produtos. Mas acho que a indústria não deve fomentar isso. Não é uma conduta ética.
ISTOÉ – Na sua opinião, qual porcentagem de novos remédios deveria de fato ser incluída em uma lista pública de medicamentos? Quantas novidades verdadeiramente trazem benefícios que justificam sua compra?
Vianna – Diante da escassez de recursos para se atender a todas as demandas de saúde, é preciso definir prioridades, analisar qual a superioridade do novo medicamento em termos de eficácia e segurança, estimar seu custo incremental em relação ao tratamento vigente e o impacto orçamentário para o Ministério da Saúde. Com o conhecimento destas variáveis, o processo decisório acontecerá de forma mais justa para a sociedade.
ISTOÉ – E como o sr. vê o futuro da saúde, uma vez que os medicamentos tendem a ficar cada vez mais modernos, mas também mais caros? O que se pode esperar de um cenário desses em um país como o Brasil?
Vianna – Os custos serão sempre ascendentes, em qualquer modelo de saúde, conseqüência do envelhecimento populacional e da incorporação de novas tecnologias. Nossos gestores e formuladores de políticas de saúde têm de buscar novas fontes de financiamento para o SUS, pois nosso gasto per capita com saúde ainda está aquém do ideal. Mas eles também devem usar os recursos com mais eficiência. O Brasil evoluiu muito nos últimos anos na discussão da avaliação da incorporação de novas tecnologias, principalmente os medicamentos. A formulação de uma política transparente, com regras claras e critérios técnicos, é o melhor caminho para se atingir maior eqüidade e justiça social. Gosto de uma frase que resume o caminho que devemos seguir: usar a tecnologia certa, no paciente certo, na hora certa.
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