A defesa aposta que as provas colhidas pelos investigadores podem ser contestadas. A perícia técnica passou 17 dias colhendo informações em oito idas ao local do crime. O mais grave, segundo especialistas ouvidos por ISTOÉ, é que a polícia não isolou na hora o local do homicídio e, pior, deixou as chaves do apartamento com o pai e a madrasta de Isabella por quatro dias depois do crime, fator que pode ter contribuído para contaminar a cena da morte. Na tese dos advogados do casal, várias lacunas foram deixadas abertas no inquérito e esses vácuos podem jogar a solução do crime num limbo jurídico. Por exemplo:
Ao acusarem o casal desde o início das investigações, os delegados do caso praticamente abriram mão de investigar a possibilidade de uma terceira pessoa na cena do crime. Esse é considerado por especialistas como o erro crasso deste processo.
A polícia descartou a presença de um invasor no edifício baseada no depoimento do porteiro, que iniciou seu turno às 18h. Logo após a queda de Isabella, porém, vizinhos do prédio disseram em seus interrogatórios que os portões do edifício estavam abertos e que todos podiam entrar e sair livremente.
Vestígios de náilon da tela de proteção foram encontrados na roupa de Alexandre. Mas, em depoimento, ele afirmou ter avançado sobre o parapeito da janela quando avistou o corpo da menina no térreo do prédio, o que explicaria os fiapos na roupa dele.
A pegada do chinelo dele na cama ao lado da gota de sangue pode ser explicada, segundo a defesa, porque o pai, para chegar à janela, subiu na cama.
A perícia detectou sangue na roupa que Alexandre e Anna Carolina usavam na noite do crime. Mas, como ele se aproximou da menina já caída na grama e depois abraçou a mulher, o sangue pode ser fruto desses dois contatos.

Há ainda algumas contradições entre os vários depoimentos colhidos pela polícia. Alexandre e Anna Carolina divergem em cerca de 15 minutos quanto ao horário em que chegaram ao prédio. O casal diz que, depois de constatar que Isabella havia sido jogada, desceu junto para o térreo. O porteiro afirma que eles não vieram no mesmo elevador e que Alexandre chegou primeiro. Uma advogada, moradora do quarto andar do prédio vizinho, disse à polícia que ouviu o casal brigar antes de a menina ser jogada pela janela e que a voz seria de Anna Carolina. Eles negam a briga. A moradora do andar de cima do apartamento do casal relatou que nada escutou. São detalhes que podem retardar a elucidação dos fatos.
Este crime odioso contra uma criança indefesa gerou uma repercussão raramente vista. As emissoras de tevê têm dado grande destaque às investigações – a audiência dos telejornais aumentou 46% com o caso Isabella. A polícia fechou o cerco contra o casal, mas, embora a cobrança por punição do(s) culpado(s) seja forte, não pode haver precipitação na interpretação dos fatos sob pena de ninguém nunca ser responsabilizado pelo homicídio. Citando o escritor americano Arthur Conan Doyle, autor de contos policiais, não existe crime perfeito, há investigações malfeitas. É exatamente nesse ponto que a acusação e a defesa do casal vão se digladiar a partir de agora.
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2