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Internacional  
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PIRATAS a bordo!
Ataque a veleiro de luxo expõe os perigos da navegação moderna, que incluem tomada de reféns e pedido de resgate

PHILIPPE PLISSON/CMA CGM/HANDOUT/DPA/CORBIS / AP PHOTO/HMCS CHARLOTTETOWN/TF150/FRENCH DEFENSE MINISTRY/HO
INVASÃO O Le Ponant e, no detalhe, piratas armados, que ocuparam a embarcação por oito dias

Destinado a fazer cruzeiros pelos mais paradisíacos destinos do mundo, o veleiro Le Ponant, de bandeira francesa, se transformou em palco de crime. Durante oito dias, a embarcação ficou sob o comando de dez piratas armados, que mantiveram a tripulação como refém. Depois de atacar o Le Ponant no Golfo de Áden, os piratas navegaram cerca de 400 quilômetros na costa da Somália e, próximo à cidade de Garaad, lançaram âncora. Vigiados à distância por um navio de guerra da França, começaram a negociar a liberação da tripulação e do barco, mediante o pagamento de resgate. A ação de piratas, seguida pelo pedido de resgate, é um crime que está aumentando em todo o mundo. Em 2007, foram 263 ataques, contra 239 no ano anterior, de acordo com o International Maritime Bureau, com sede em Londres. “Cada vez mais bem treinados e armados, estes piratas representam uma grave ameaça à navegação”, alertou o presidente da organização, Pottengal Mukundan.

A costa somali, onde ficou ancorado o Le Ponant, é um dos alvos preferidos da pirataria moderna. Só no anopassado, 31 embarcações foram atacadas na região. A situação em terra não é menos tensa do que na água. Antiga colônia britânica, a Somália conquistou sua independência em 1960. Desde então, é convulsionada de tempos em tempos por conflitos tribais, como os que fizeram a província de Puntland, onde se situa a cidade de Garaad, decretar sua autonomia, ainda não reconhecida pela capital, Mogadíscio.

Sem navios para patrulhar sua costa e servindo de abrigo para bases piratas, o governador de Puntland, Musa Ghelle Yusuf, apelou na segunda- feira 7 para que a França e os Estados Unidos fizessem uso imediato da força para acabar com a pirataria. Não encontrou respaldo. Empenhado em negociar desde o primeiro momento, o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, expressou determinação em “fazer tudo para que não haja derramamento de sangue”. Dos 30 tripulantes feitos reféns, 22 eram franceses. A empresa que opera o Le Ponant, a Compagnie des Îles du Ponant, se limitou a divulgar que não havia passageiros a bordo. Na manhã da sexta-feira 11, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou em comunicado que os reféns haviam sido libertados “sem incidentes”. Horas depois, o vice-almirante Édouard Guillaud foi mais explícito. Contou que a retomada do Le Ponant e a libertação dos reféns não resultaram de intervenção armada. Já o general Jean-Louis Georgelin ressaltou que “nenhum dinheiro público” havia entrado na negociação.

 


16/4/2008


 
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