O ministro Edison Lobão tenta tranqüilizar o mercado. Segundo ele, o governo quer “modicidade tarifária”, mas a estatal, nessa nova forma, estará focada nos projetos que não são interessantes para o setor privado. É o que deve ocorrer no projeto de integração regional da América do Sul. Como a nova legislação permite que a Eletrobrás atue no Exterior, a empresa já está de olho nas usinas hidrelétricas binacionais na Argentina, na Bolívia, no Peru e no Uruguai. No caso da licitação da segunda usina do rio Madeira, Jirau, a Eletrobrás participará em parceria com sócios privados, mas o ministro não descarta a possibilidade de a empresa entrar como holding, sem subsidiárias. Um problema que está em análise no Ministério é o caso de Furnas. A empresa já tinha o compromisso de participar com o consórcio Madeira Energia, liderado pela Odebrechet, que venceu a licitação para a construção de Santo Antônio. Além das hidrelétricas, a Eletrobrás também focará as energias alternativas, como as usinas térmicas de bagaço de cana, energia eólica e energia nuclear. A estatal quer retomar Angra 3, com suas futuras unidades, e aumentar sua participação na região amazônica.
A Eletrobrás também já deu início ao processo de contratação de uma consultoria internacional para fazer seu Plano Estratégico a Longo Prazo, com as aclamadas regras de governança corporativa e alterações no estatuto. A principal preocupação é que tudo seja feito conforme a lei americana Sarbanes Oxley, que cria mecanismos de auditoria para evitar fraudes e garantir a transparência na gestão. Além disso, o diretor financeiro da estatal, Astrogildo Quental, anunciou que vai pagar os R$ 7 bilhões em dividendos atrasados ainda este ano. Essas duas medidas permitem à Eletrobrás sonhar com sua entrada na Bolsa de Nova York. Como se percebe, há muito o que ser feito. A dúvida é se a Eletrobrás terá força para tudo isso. De acordo com o Instituto Acende Brasil, o setor de energia exige investimentos de R$ 15 bilhões por ano, mas há empresas que calculam investimentos de R$ 20 bilhões para atender às necessidades do País com o PIB crescendo a 5% ao ano. Desse montante, a Eletrobrás contribui com apenas 15%.
A BR engole a Esso
Se a Eletrobrás quer se tornar uma Petrobras, a BR Distribuidora, braço da estatal do petróleo na área de combustíveis, também não perde tempo. Nos próximos dias, a empresa deve anunciar a compra dos postos da Esso por cerca de US$ 800 milhões, associada à Alesat. O presidente da BR, José Eduardo Dutra, não fala da compra, mas já adianta que não haverá um monopólio no setor. A participação de mercado da estatal, segundo ele, será de 45%. Ainda assim, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão que regula a concorrência no Brasil, não vê com bons olhos a operação. Principalmente, porque a cada dia o mercado está mais concentrado. O Grupo Ultra – que detém os postos Ipiranga no Sul e no Sudeste – negocia a compra da Texaco do Brasil. Um negócio de mais de US$ 1,5 bilhão. Nesse caso, o Ultra ultrapassaria a Shell e se tornaria o segundo grupo em distribuição de combustíveis no Brasil, com pouco mais de 20% do mercado. E o curioso é que, enquanto a Petrobras avança, as multinacionais americanas dão adeus ao País. |
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