
De fato, o diagnóstico da doença precisa ser alvo de maior atenção dos médicos e dos serviços de saúde públicos ou privados. Além da longa espera e da falta de conhecimento, existem outros empecilhos para a sua realização. Um deles é que muitas mulheres não vão ao ginecologista com freqüência. Outra é a burocracia para fazer os exames que detectam os focos em áreas de acesso mais complicado, como o intestino e o fundo do abdome. Em geral, nesses casos, o melhor é recorrer à cirurgia laparoscópica. Mas, se na rede pública faltam equipamentos e horários para a maioria dos serviços, nos consultórios particulares o que atrapalha é o desacordo entre os convênios e médicos pelo preço pago pela intervenção. Por isso, muita gente fica esperando a oportunidade de atendimento e enfrenta as drásticas conseqüências da inadequação dos profissionais e das estruturas públicas e privadas.
Na tentativa de contribuir para a superação desse impasse de algum modo, Abrão e outro autor do estudo, Manoel Gonçalves, desenvolveram um novo método para ajudar nessa corrida contra o tempo. “Nós temos usado com sucesso o exame de ultra-som para descobrir a endometriose profunda implantada nos órgãos. E criamos alguns protocolos que estão sendo ensinados aos profissionais que fazem o exame. Em 95% dos casos, tem dado certo e por isso nossa técnica já começa a ser usada em outros países”, diz o ginecologista Abrão.
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