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Malhação conjunta
Aos sábados, já é sagrado. Nelson da Costa Pereira, 54 anos, e o filho, Rafael, 26, se encontram na academia Triathon, em São Paulo, para malhar. É mais um tempo dedicado a fortalecer o vínculo entre os dois e também a manter a boa forma. Aliás, o gosto pela atividade física foi sendo desenvolvido em Rafael ao ver o exemplo do pai. “Sempre gostei de vê-lo treinar. Ele me mostrou o caminho para uma vida saudável”, diz Rafael. |
Boas ou más, as relações familiares também interferem no que diz respeito ao sucesso de uma dieta. Já era sabido que conseguir fechar a boca, enquanto o parceiro se delicia com um pedaço de bolo ou de pizza bem ao lado, é tarefa dificílima. Mas um levantamento divulgado na última semana pela Universidade de Ryerson, do Canadá, foi mais fundo no assunto. Os cientistas averiguaram o que está por trás das reações quando um dos familiares precisa adotar uma dieta por razões de saúde. “Os gestos da maioria dos parceiros e de outras pessoas importantes à mudança de alimentação refletiram a dinâmica geral da relação. Houve atitudes de cooperação, como mudar a lista de compras e compartilhar informações, mas também pessoas que mostraram ceticismo e raiva”, disse à ISTOÉ Judy Paisley, coordenadora do trabalho. A pesquisadora percebeu que muitos parceiros dispostos a ajudar entendiam que essa era uma extensão natural das relações. Nos casos em que a proposta não caiu bem para o companheiro ou demais familiares próximos, o gesto mais comum foi degustar alimentos proibidos na frente de quem deve privar-se deles, sem ter consciência de estar causando um dano. Para quem estava em dieta, o esforço teve de ser maior para não ceder às tentações. E a chance de perder peso foi menor.
O que esses trabalhos deixam claro, cada um a seu modo, é que, no ambiente familiar, é preciso tomar cuidado para evitar que os mal-entendidos criem raízes, gerem mágoas e afastem as pessoas. Para conseguir isso, não há solução mágica. Pelo contrário, ela é bem palpável, mas depende do comprometimento de todos para criar estratégias que fortaleçam os vínculos. O geriatra Nasri, por exemplo, guarda o final da tarde de domingo para reuniões com a mulher e o filho de nove anos. Nesses minutos, eles conversam sobre a vida e procuram falar dos sentimentos. É o momento, por exemplo, em que o garoto pode contar sobre as situações em que sentiu medo ou raiva e ter a certeza de que os pais o ouvirão com respeito. Abrir o caminho da conversa, de fato, é fundamental. “Assim, começam a circular os sentimentos e as possibilidades de resolver problemas, estreitar vínculos e ter mais saúde”, diz a psicóloga Magdalena Ramos, autora do livro E agora o que fazer? A difícil arte de criar os filhos.

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Todo o tempo a Pedro
Na casa de Thais e Ricardo Machado, no Rio, o centro das atenções é Pedro, de nove meses. Os pais, um jornalista e uma advogada, se desdobram para ficar com o bebê. Ela resolve em casa algumas tarefas do trabalho e o marido a rende quando preciso. “É um privilégio mantermos esse esquema”, diz o pai, satisfeito porque Pedro ainda não teve nenhuma das doenças comuns à idade.
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União radical
Não há destino que assuste a família Muller, de São Paulo. Ronny, Luciana e o filho Matheus são adeptos de atividades de aventura (na foto ao lado, estão no cume da Pedra do Baú, em Campos do Jordão) e prezam a união que as expedições lhes proporcionam. “É um jeito criativo de manter a saúde e de ficar com a família”, diz Ronny. A família criou inclusive um site e costuma dar palestras sobre os benefícios da prática para os laços familiares e a saúde. |
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Família pé na estrada
Unida, a família da administradora de empresas carioca Giuliana Monteiro (em pé de camisa lisa) se reúne para viajar. Pais, avós e três meninas colecionam, por exemplo, idas à Disney e à Europa. No ano passado, uma das irmãs casou-se com um italiano e teve uma menina, que fará um ano em junho. Resultado: muito em breve, todos irão para a Itália. |
Isso acaba ocorrendo porque uma boa, franca e pacífica conversa remove as tensões que corroem o bem-estar e que, ao longo do tempo, pavimentam o caminho para o stress e as inúmeras alterações bioquímicas prejudicais ao organismo disparadas por ele. Com um ambiente mais tranqüilo, também fica mais fácil se recuperar de doenças ou melhorar a qualidade de vida mesmo quando a cura não está à vista. São conhecidos os casos de pacientes que apresentam uma convalescença muito mais positiva porque são apoiados por suas famílias. Há várias razões para isso. “Quando o paciente se sente desamparado e deprimido, seu sistema de defesa fica enfraquecido, o que facilita a ocorrência de uma infecção hospitalar ou de um pósoperatório mais lento”, explica o cirurgião torácico Anderson Nassar Guimarães, do Rio de Janeiro. “Ao contrário, quem sabe que é querido tem a autoestima em alta e mais incentivo para se restabelecer”, assegura o especialista. Foi o que aconteceu com o industriário carioca Nelson Araújo Cardoso, 74 anos. Nas duas cirurgias que fez para retirar um tumor do pulmão e outro da cabeça, ele não ficou um minuto sem um ente querido por perto. “Enfrentei melhor as duas cirurgias e a recuperação”, diz.
Produção: L A Braga Junior/Juliana Scchneider. Make: Gil Anders. Agradecimento: Tok&Stok, Jogê
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