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| O NÚMERO 1 No Colégio de São Bento, só estudam meninos e a carga horária é puxada |
A pedagoga e diretora-geral do Colégio Vértice, localizado na capital paulista, Walkiria Gattermayr Ribeiro, escolheu o amarelo para tingir as dependências da instituição. Ela acredita que a cor estimula a aprendizagem dos alunos. Este ano, pela terceira vez consecutiva, o Vértice é o número 1 do Estado de São Paulo no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cujas notas foram recém-divulgadas. Seus estudantes alcançaram uma média de 81,67 pontos – 30 a mais do que a média nacional. O amarelo, porém, é peça miúda da engrenagem pedagógica. Um dos pilares do sucesso do colégio, cuja mensalidade custa entre R$ 1.074 e R$ 2.336, são as avaliações semanais chamadas “verificação de aprendizagem”, que fazem o jovem estudar diariamente e não apenas no final do bimestre. “A nossa pedagogia é levar a pessoa a aprender, mas queremos que ela adquira habilidades que passam pela cognição, pelo social e emocional”, diz Adílson Garcia, diretor da escola.
O ambiente no colégio paulista é propício para isso. Com 31 anos de existência, ele mais parece uma vila de casas e sobrados. Pelos corredores, há canteiros de flores e pimentas-malaguetas plantadas. Mas a vida é doce lá dentro, mesmo com 55 aulas por semana (quase 12 horas por dia) para alunos do terceiro ano. No Colégio de São Bento, do Rio, o campeão nacional do Enem com 82,96 pontos, o ritmo também é puxado: no terceiro ano, as aulas vão das 7h30 às 16h30 e há provas todos os sábados. Fundada há 150 anos por monges beneditinos, a instituição não aceita meninas. São 1,1 mil alunos espalhados por 16 mil m2, com piscina, quadras, laboratórios, ar-condicionado e internet nas salas. A mensalidade oscila em torno de R$ 1.500. Para Guilherme Santos, 19 anos, a ausência de meninas tem pontos positivos e negativos: “O ruim eu nem preciso falar. O bom é que nos distraímos menos e estudamos mais”.
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| PRÁTICA No Cefet-SP, todas as disciplinas podem ser dadas nos laboratórios |
Não é o caso do São Bento, mas depois que o Enem foi criado, há dez anos, houve colégios que, visando uma melhor colocação, criaram vagas de professores para as competências avaliadas na prova. O exame, ao contrário dos vestibulares, não se prende a conteúdos de disciplinas como matemática e química. O aluno deve demonstrar competências como capacidade de expressão, compreensão e argumentação. Estudar para o Enem, portanto, não faz sentido. “Mas, infelizmente, há pessoas que estudam com objetivos bem mais pragmáticos. Muito por culpa da escola”, critica Nilson José Machado, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Membro da equipe que formulou o projeto do exame, ele completa: “A função da escola é preparar o jovem para a vida e não para prova nenhuma”.
Esse é o princípio do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-SP), a melhor escola pública de São Paulo. “Aqui somos autodidatas. Aprendemos a aprender”, diz a aluna do segundo ano Gabriela Minichelli Coelho, 17 anos. Professor de química, Nelson Teixeira reforça o critério pedagógico do Cefet-SP: “As disciplinas são ferramentas da educação do aluno. Em uma aula em laboratório, conteúdos de matemática, português, química, física e biologia podem ser passados ao mesmo tempo, já que a finalidade é fazer o aluno aprender a raciocinar, interpretar e ter visão crítica.”
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| FORMAÇÃO Colégio de Aplicação: professores com dedicação exclusiva e pós-graduação |
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