
O fantasma do 3º mandato
Vice-presidente defende nova reeleição
É uma estratégia admitida pelos assessores políticos do presidente Lula no Palácio do Planalto: o presidente federaliza as eleições municipais. Ele está envolvido diretamente na formação de chapas para as principais eleições, como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A idéia é fortalecer o discurso de que votar nos partidos que apóiam Lula é votar em Lula. O resultado disso é uma conformação plebiscitária às eleições de outubro. Ou se está com ele, ou se está contra ele. É nesse quadro que se ressuscita o fantasma do terceiro mandato para o presidente. Um dos mais íntimos amigos de Lula, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) resolveu na semana passada dar um passo além na sua idéia de conceder ao presidente a possibilidade de mais quatro anos de governo. Devanir anunciou que vai apresentar nas próximas semanas uma emenda constitucional permitindo o terceiro mandato.
A idéia é referendar essa possibilidade em um plebiscito, conferindo um formato pseudodemocrático, de que a manutenção de Lula no poder é uma vontade popular. Nega-se uma ação orquestrada, mas, ao mesmo tempo que Devanir anunciava a sua emenda na quarta-feira 2, o vice-presidente da República, José Alencar, defendia publicamente a proposta. Em entrevista à ISTOÉ, ele usou um argumento empresarial: diz que, numa empresa, quando o presidente vai bem, os acionistas o mantêm. A analogia, porém, é capenga: ao contrário do que também acontece numa empresa, se um presidente não está agradando, seu mandato não pode ser abreviado. ISTOÉ - O sr. defende um terceiro mandato para Lula? Alencar - Eu sou oriundo do setor privado. Lá, quando um profissional vai bem na administração da empresa, ele é sempre reeleito como presidente pelos acionistas. Ora, os acionistas dessa empresa chamada Brasil são o povo. ISTOÉ - A sua declaração faz parte de alguma articulação? Alencar - Não foi nada combinado. Eu estava dando a minha opinião. E eu sou apenas um voto. Mas eu acho que é o que o povo quer. E, se for o que o povo quer, isso é democracia. |