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Editorial  
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A dengue sem combate
CARLOS JOSÉ MARQUES, DIRETOR EDITORIAL

A dengue sem combate Ministério da Saúde adverte: 670 cidades brasileiras podem sofrer epidemia de dengue. O Tribunal de Contas da União (TCU), que analisou o Programa Nacional de Dengue, dá estatísticas ainda mais sombrias: 48%, quase a metade delas, não possuem nenhum plano de reação a essa ameaça. O TCU aponta "ações precárias e ineficazes" nesses municípios. Alerta que seriam necessárias medidas como a preparação de listas de hospitais e leitos disponíveis, número de profissionais aptos a atender, volume de remédios, etc. Nada disso existe e, embora as autoridades estejam conscientes do grau de perigo que a doença representa, numa escalada vertiginosa de expansão, pouca coisa - quase nada - está sendo feita para virar o quadro. Em estágio de calamidade, fruto do descaso irresponsável, o Rio de Janeiro é o retrato da falta de prevenção. Passou meses vivendo uma situação de epidemia anunciada. Quando ela chegou de fato, a cidade estava refém. Numa atitude que chocou o País, autoridades municipais, estaduais e federais fizeram de conta que não era com elas. Entraram num jogo de empurra-empurra da culpa e seguiram inertes em relação ao avanço da doença. O prefeito Cesar Maia, mesmo diante de números assombrosos - quase 40 mil casos oficiais, cerca de 60 óbitos -, chegou ao cúmulo de negar o problema. Falou apenas em surto na região de Jacarepaguá. A população desprotegida virou vítima fácil. O rosto de inúmeras crianças que perderam a vida e a imagem de sofrimento de famílias destroçadas viraram combustível para a revolta. No coração da doença, desvios de verbas, desrespeito com os cidadãos que pagam impostos, omissão e falta de infra-estrutura. Às pressas, para remediar a crise, médicos de outros Estados foram recrutados. É um paliativo. Os casos de dengue no Brasil explodem. Em 2004, pouco mais de 110 mil ocorrências foram notificadas. Em 2007, o número cresceu para 560 mil, ou quase dois terços dos casos verificados no continente naquele ano. Em pleno século XXI, o Brasil apresenta taxas de doenças da era medieval. Como se precaver? Diante da lacuna de autoridade, resta rezar e passar repelente.


9/4/2008


 
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