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''Não se pode gastar o que não se tem''
O bilionário mexicano chega ao Brasil e revoluciona o mercado de crédito no varejo com prestações semanais

Por ADRIANA MATTOS E MILTON GAMEZ, do Recife

ISTOÉ – Alguns especialistas criticam o momento que o sr. escolheu para investir no mercado brasileiro. A expansão do crédito está em seu terceiro ano e a explosão do consumo de eletrodomésticos já aconteceu. Por que vir só agora?
Salinas – Temos muita confiança no futuro do Brasil como uma das economias líderes no mundo. Faz tempo que estamos interessados nesse mercado e só recentemente obtivemos autorização (do Banco Central) para iniciarmos nossa operação bancária. Uma de nossas forças nos últimos 100 anos de negócios é identificar as necessidades dos nossos clientes e responder rapidamente com produtos que os satisfazem. Nosso foco não é o curto prazo.

ISTOÉ – Quais serão os próximos passos do Grupo Salinas no Brasil?
Salinas – Temos uma forte história de sucesso em soluções de transporte para a classe trabalhadora. Temos uma fábrica de automóveis que gostaríamos muito de trazer para o Brasil. Nossa marca é a FAW (First Auto Works), chinesa. Fazemos subcompactos de baixo custo no México e esperamos vendê-los nos países onde há lojas Elektra e agências do Banco Azteca. Também temos uma fábrica de motocicletas, a Italika, com 40% do mercado mexicano. Nosso foco imediato é consolidar o varejo e o banco, mas estamos abertos a uma variedade grande de investimentos no Brasil, inclusive nas áreas de TV e de telecomunicações. A TV Azteca está fazendo um intercâmbio de programação e de conhecimento com a Record.

ISTOÉ – O sr. irá fabricar e vender carros e motocicletas no Brasil?
Salinas – É uma opção que estamos analisando.

ISTOÉ – O Banco Azteca vai fazer empréstimos ou financiar somente as vendas nas suas lojas?
Salinas – Sim, faremos empréstimos pessoais até R$ 5,5 mil, por até um ano e meio. Nossos clientes poderão usar o dinheiro para construir, cuidar da saúde, abrir um pequeno negócio. Nossa tecnologia é digital. Não tem carnê de papel, nada. O cartão de crédito tem um chip com toda informação do cliente. Se ele não quiser carregar nada, basta ir até a loja e colocar seu dedo no leitor digital. O reconhecimento é imediato.

CELSO JUNIOR/AE
"A Casas Bahia faz um bom trabalho e nós também. Damos desconto nos juros para quem paga em dia"

ISTOÉ – Por que o Banco Central levou três anos para aprovar a entrada do Banco Azteca no Brasil?
Salinas – Isso você vai ter que perguntar a eles.

ISTOÉ – A chegada do Banco Azteca acontece numa época em que o mercado de crédito está muito competitivo. Por que um cliente iria escolher o seu banco em vez dos outros?
Salinas – Há muitos bancos em todos os países onde operamos. Entretanto, há poucos especializados no mercado de renda baixa e média. É um grupo de consumidores que conhecemos muito bem. Vamos repetir nossa estratégia de sucesso em mercados como México, Guatemala, Peru, Honduras e Panamá, e adaptá-la ao clima local.

ISTOÉ – Quando o sr. pretende investir no Sudeste, o maior mercado brasileiro, e expandir a escala de vendas?
Salinas – Nossa prioridade é consolidar as operações no Nordeste. Assim que colocarmos nossos pés na água, iremos avaliar a possibilidade futura de expansão.

ISTOÉ – O sr. acredita num tratado de livre comércio entre o México e o Brasil?
Salinas – Seria muito útil e é possível. Para isso, o Brasil precisa acabar com as barreiras não-alfandegárias que impedem a entrada de certos produtos mexicanos.

ISTOÉ – A crise financeira nos Estados Unidos terá um impacto no México. Isso pode alterar seus negócios no Brasil?
Salinas – Uma grande parte da culpa da crise no sistema bancário americano é que os grandes bancos se distanciaram muito dos seus clientes e de sua realidade econômica. Felizmente, nós não temos este problema. Mantemos contato muito próximo com nossos clientes. Continuamos muito comprometidos com o Brasil.

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3/4/2008


 
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