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ESPECIAL
A morte inaceitável de Isabella
Na história da menina que queria ser bailarina, a mãe se desentendia com o ex-marido por causa da pensão, ele dependia da ajuda financeira do pai e a madrasta tem um passado de agressões na própria família

REPORTAGEM: ALAN RODRIGUES, ANA CLARA COSTA, CAMILA PATI, CARINA RABELO, CLAUDIA JORDÃO, JOÃO CARLOS GODOY, JOICE TAVARES E RODRIGO CARDOSO
EDIÇÃO: DANIELA MENDES E DÉBORA CRIVELLARO

LUIZ CARLOS MURAUSKAS/FOLHA IMAGEM
DESOLAÇÃO O enterro: família e amigos incrédulos
Extrovertida, alegre e graciosa, Isabella Oliveira Nardoni, de cinco anos, era o centro das atenções nas reuniões de família. Carinhosa, vivia pedindo colo e distribuindo beijos. Seus programas preferidos nos fins de semana eram viajar para a praia e brincar no parquinho. Vaidosa, adorava vestidos, bolsinhas corde- rosa e era vidrada na boneca Hello Kitty. “Sou superchique”, dizia aos adultos. Ela estava empolgada com um peixinho que havia ganhado de uma prima, que batizou de Biel, mas sua paixão, mesmo, era o balé. Isabella ensaiava os primeiros passos na escola e dizia a todos que queria ser bailarina quando crescesse. O sonho, tão comum a meninas desta idade, nunca se realizará. Ele foi brutalmente interrompido na noite do sábado 29, quando Isabella foi encontrada caída de bruços no jardim do prédio onde morava seu pai, Alexandre Nardoni, na zona norte de São Paulo. Minutos depois, ela faleceu.

Isabella chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu de parada cardiorrespiratória a caminho do hospital. Alexandre parecia atordoado diante da cena. Ora pedia socorro, ora colocava o ouvido no peito para checar se o coração da filha ainda batia. “Ele andava de um lado para o outro desesperado, estava transtornado”, conta o sargento da PM Luiz Carvalho, a primeira pessoa a chegar ao local do crime. As circunstâncias da morte da menina ainda estão envoltas em mistério. Há duas hipóteses principais: ela ter sido jogada do sexto andar do prédio depois que a tela de proteção foi cortada com uma tesoura ou ter sido agredida e colocada no jardim. Há vários dados intrigantes:

ARQUIVO PESSOAL
INFÂNCIA ROUBADA A menina vaidosa e alegre adorava a boneca Hello Kitty e tinha um peixinho

* Isabella foi colocada no quarto dela, mas teria sido jogada do cômodo vizinho.
* Ela ter tido só uma fratura, se realmente caiu de uma altura de 20 metros.
* O corpo tem sinais de asfixia, com extremidades das unhas roxas, manchas no pulmão e no coração e escoriações e supostas marcas de dedo na nuca.
* Há vestígios de sangue no carro do pai, na fechadura da porta, no hall de entrada, no lençol do quarto dela e na tela de proteção da janela.
* As roupas que Alexandre usou naquele dia foram encontradas no apartamento vizinho, de sua irmã, que está desocupado.
* O relato dele sobre o ocorrido tem várias contradições em relação aos depoimentos de outras testemunhas.

Alexandre, 29 anos, diz que chegou ao prédio por volta das 23 h com a segunda mulher, Anna Carolina Jatobá, 24, Isabella e os dois filhos deles, de três anos e de dez meses, depois de uma visita aos sogros, que moram em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo ele, as três crianças dormiam, por isso subiu primeiro com Isabella no colo.

Chegou ao apartamento de número 62, o único ocupado no andar, e acendeu os abajures do quarto dos filhos e do de Isabella, onde a deixou dormindo. Em seguida, voltou à garagem para buscar os outros, com o cuidado de trancar a porta de casa. Quando retornou ao apartamento, dez minutos depois, encontrou a porta aberta, a luz do quarto de hóspedes acesa e não viu Isabella. Foi para o quarto ao lado e viu a rede de proteção da janela cortada. Depois, avistou o corpo da filha caído no jardim do prédio. No apartamento não há sinais de arrombamento e nenhum objeto foi furtado.

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9/4/2008


 
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