Como se não bastasse tudo isso, as estruturas relacionadas aos sentimentos também estão sob forte impacto dos hormônios sexuais, abundantes nessa fase da vida. Ou seja, cria-se um verdadeiro furacão de desejo, sem que o freio do racional esteja funcionando plenamente. "Mas ainda estamos começando a entender como se dá a atuação dos hormônios sobre esses centros", disse à ISTOÉ Ronald Dahl, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh (EUA).
Mesmo que ainda faltem explicações para muitos dos fenômenos observados no cérebro ao longo da puberdade, o fato é que as informações coletadas até agora permitem que pais, professores e outros profissionais que de alguma forma lidam com adolescentes consigam entendê-los melhor. "Esses achados mostram que neste momento é muito mais importante que eles tenham cada vez mais atenção das políticas públicas, não como se fossem um problema, mas como jovens que precisam de acolhimento", afirma Albertina Takiuti, coordenadora do Programa da Adolescência da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. "Da mesma forma que se respeita o desenvolvimento infantil, o processo do adolescente tem de ser respeitado", diz.
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Dificuldade de organização
De segunda a sexta-feira a história é a mesma. Assim que chega do colégio, a paulistana Nathalie Gimenez, 15 anos, joga o material escolar para o lado. Na seqüência, tira o uniforme e faz o mesmo com ele, antes de almoçar de olho na tela do computador. A garota assume que não consegue priorizar as tarefas que tem de realizar e nem organizar seu espaço. "Meu quarto é uma zona. Sou bagunceira", afirma. Em uma única gaveta, por exemplo, pulseiras se misturam com brincos, perfumes e roupas. "Brinco que, quando eu me casar, meu marido vai achar a cueca no meio da gaveta de calcinhas", diz.
EXPLICAÇÃO: a área do cérebro responsável pela organização espacial e de ações está imatura |
Os dados também dão um alerta de quanto os pais são importantes nessa fase. "Se, de um lado, há um cérebro fisiologicamente imaturo, é importante que, do outro lado, o ambiente dê o suporte necessário para o desenvolvimento desses jovens", explica Ana Olmos, neuropsicóloga infantil e orientadora de várias escolas paulistanas. Se eles não enxergam as conseqüências de se expor ao risco, por exemplo, cabe aos pais impedi-los. Com firmeza e sem culpa. Os pais podem se comover com as dificuldades do filho ou se irritar com os gestos de rebeldia, mas no meio de tudo isso precisam estimular os adolescentes a lidar melhor com a frustração, a cumprir com suas responsabilidades e também a descobrir seus verdadeiros recursos.
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