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Medicina & Bem-estar  
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Por dentro da mente adolescente
Eles gostam de se expor ao risco, têm explosões de raiva ou de paixão e detestam regras. A ciência começa a mostrar que muitos desses comportamentos podem ser resultado de mudanças ocorridas no cérebro durante a puberdade

Por CILENE PEREIRA E MÔNICA TARANTINO Colaboraram: Renata Cabral (RJ) e Rodrigo Cardoso

ALEXANDRE SANT'ANNA/AG. ISTOÉ
Sentimentos intensos
Aos 16 anos, a cearense Raquel, moradora do Rio de Janeiro, viu seu namoro adolescente tornar-se uma relação madura. Quando os pais decidiram voltar para o Ceará, ela já não imaginava como seria viver sem o namorado, Raphael, 21 anos. Chegou a viajar com a família, mas dois meses foram suficientes para a saudade apertar tanto que o único jeito foi o amado buscá-la de volta. Eles casaram no civil e a cerimônia religiosa ficou para quando a menina atingir a maioridade. "Quando o juiz perguntou se eu estava certa de minha decisão, caiu a ficha sobre o quanto aquele passo era importante, mas seguimos em frente e hoje estamos muito felizes", garante.
EXPLICAÇÃO: as áreas associadas aos sentimentos estão a pleno vapor. As paixões, por exemplo, são sempre avassaladoras

Além disso, a recompensa tem de ser boa, a seus olhos, e imediata. Não adianta insistir para que ele se dedique mais aos estudos com a justificativa de que desse modo seu futuro profissional será promissor. É mais eficaz argumentar que, se repetir de ano, vai ficar longe da turma de amigos. Para ele, faz mais sentido. Segundo especialistas, a constatação ajuda a entender por que tantos adolescentes tornam-se dependentes de álcool ou drogas. Essas substâncias dão sensação de prazer, e em pouco tempo. O que também já está demonstrado é que o núcleo accubens sofre uma queda na sua resposta à ação da dopamina, substância associada à motivação. "Por causa disso, ocorre o que chamamos de óbito da infância. Tudo o que ele gostava fica sem graça, o carrinho, a boneca", explica o neurologista Carlos Aucélio, do Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento Neurocomportamental da Criança e Adolescente da UnB.

Já no sistema límbico, o centro onde as emoções são processadas, a evolução do amadurecimento está bem mais adiantada. A amígdala, estrutura importante dessa engrenagem e vinculada a respostas impulsivas, é uma das mais ativadas na adolescência. E como a ligação entre essa área e a responsável pela razão ainda não está finalizada, as reações emocionais não são submetidas a uma análise mais crítica. O resultado é que elas acabam se manifestando de forma mais intensa. E, muitas vezes, os adolescentes não conseguem fazer a interpretação correta das emoções alheias, como provou um trabalho realizado por Deborah Yurgelun-Todd, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. No estudo, todos os adultos analisaram corretamente as emoções exibidas em retratos de algumas faces a eles apresentadas. Entre os adolescentes, só a metade acertou. O resto viu tristeza onde, na verdade, a expressão era de medo. Ou seja, entre outras coisas, eles podem enxergar raiva ou desinteresse onde decididamente esses sentimentos não existem.

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
O prazer antes de tudo
É raro o dia em que o paulistano Felippe Belinetti, 17 anos, sai de casa sem o skate a tiracolo. Quando estudava de manhã, entrava na escola com o shape de rodinhas. Certa vez, chegou a andar no meio do pátio e só depois de muito choro convenceu o diretor a devolver seu brinquedo. "Quando cheguei em casa, minha mãe quebrou meu skate no meio", conta. Não adiantou. Às terças-feiras, Felippe acordava às 8 h e avisava a mãe que iria faltar à aula para andar em uma pista. "Teve vezes em que eu acordava de madrugada para andar de skate", diz.
EXPLICAÇÃO: a estrutura que avalia a quantidade de esforço necessária para receber uma recompensa ainda está se desenvolvendo. Por isso, eles preferem ações que dêem mais prazer, com menos esforço
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9/4/2008


 
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