ISTOÉ - Independente
 
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Medicina & Bem-estar  
Imprimir
 
Por dentro da mente adolescente
Eles gostam de se expor ao risco, têm explosões de raiva ou de paixão e detestam regras. A ciência começa a mostrar que muitos desses comportamentos podem ser resultado de mudanças ocorridas no cérebro durante a puberdade

Por CILENE PEREIRA E MÔNICA TARANTINO Colaboraram: Renata Cabral (RJ) e Rodrigo Cardoso

Os estudos sobre a relação entre o funcionamento cerebral e o comportamento teen ganharam fôlego há uma década. Um dos pioneiros nesta área é o pediatra americano Jay Giedd, do Departamento de Psiquiatria do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Maryland, nos Estados Unidos. Há 19 anos, ele conduz um experimento com adolescentes, acompanhando a evolução do cérebro de cada um por meio de exame de imagens. Os primeiros resultados mais consistentes foram divulgados há quatro anos e já apontavam várias modificações. Na última semana, um artigo publicado pelo pesquisador no Journal of Adolescent Health confirmou os achados anteriores e os detalhou ainda mais. O trabalho já está sendo considerado pelos especialistas um divisor de águas no que diz respeito à compreensão do universo adolescente. "Abriu-se a caixa de Pandora que era o cérebro durante a puberdade", afirma a pediatra Marilúcia Picanço, coordenadora do Ambulatório do Adolescente do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (UnB).

CARLOS VILLALBA/AG. ISTOÉ
Dificuldade para pegar no sono
Não importa o quanto a mãe lute para fazê-lo dormir mais cedo: o carioca Lucas Ferreira, 15 anos, fica "ligado" até por volta de 1h. Seja no computador, no telefone ou em frente à televisão, ele enrola o mais que pode. Lucas sabe que o hábito prejudica seu desempenho escolar, mas não consegue evitar. Resultado: acaba cochilando à tarde, quando isso não acontece dentro da sala de aula onde cursa o último ano do ensino fundamental. "Nos fins de semana, saio com amigos e também durmo tarde", diz.
EXPLICAÇÃO: a melatonina, hormônio que induz ao sono, é produzida por uma glândula localizada na base do cérebro. Nos adolescentes, sua fabricação começa mais tarde, o que atrasa o início do sono

A primeira grande constatação de Giedd é a de que o cérebro não está totalmente maduro aos 11 ou 12 anos, como se imaginava. Ele atingiu o volume de um cérebro adulto, mas só alcançará sua maturidade - quando suas estruturas e conexões estão devidamente equilibradas - por volta dos 25 anos. Além disso, é exatamente no início da adolescência que ele passa por uma segunda onda de reformulação. A primeira ocorre ainda na gestação. No final da gravidez, o cérebro do feto é submetido a um processo de "poda" ou descarte dos neurônios que o próprio órgão entende não serem mais necessários. Trata-se de uma estratégia que objetiva o amadurecimento do cérebro, jogando fora o que não precisa e melhorando os canais mais importantes. O mesmo processo acontece mais ou menos aos 12 anos. E desta vez também há corte de conexões entre os neurônios. "Porém, o trabalho mostra que essa maturação acontece tardiamente no córtex pré-frontal", explica o psiquiatra Ricardo Uchida, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O problema é que o córtex é justamente a área responsável pelo raciocínio, controle de impulsos e pela avaliação de riscos.

A escolha das conexões que serão cortadas obedece às características genéticas e à velha lei da dinâmica cerebral, segundo a qual o que não é usado é descartado - o conhecido use-o ou perca-o. Por isso, o que os cientistas estão verificando é que os circuitos cerebrais mais usados na infância, como o da linguagem ou da escrita, tendem a ser menos afetados. É também por esse motivo que os pesquisadores estão alertando para a importância de dar à criança nos primeiros anos de vida uma boa formação intelectual e também em termos de princípios, conceitos e valores. Quanto mais fortes eles estiverem gravados no cérebro, maior a chance de permanecerem.

O trabalho também aponta outras estruturas que teriam suas funções ainda não completamente amadurecidas. Uma delas é o núcleo accubens, relacionado à avaliação de quanto esforço é necessário para receber uma recompensa. Por isso, nas contas do adolescente, não vale a pena arrumar-se rapidamente para fazer um programa que considera chato. A pergunta que ele se faz é: O que eu vou ganhar com todo esse esforço? "Essa é uma das razões pelas quais é tão difícil motivar os adolescentes e por que eles preferem atividades que requerem menos esforço, mas com maior excitação", explicou à ISTOÉ Ken Winters, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Minnesota (EUA).

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>

9/4/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions



>