Se os ambientes onde acontecem os encontros sociais mudou, as roupas que os jovens usam nessas ocasiões passaram por transformação ainda mais radical. Tênis, jeans e camisetas de grifes nacionais são as peças mais comuns entre os socialites, enquanto seus pais raramente saíam à rua sem usar pelo menos uma marca importada. Hoje, alguns levam o despojamento ao extremo, como Tonico Monteiro de Carvalho. O rapaz, herdeiro de um dos sobrenomes mais tradicionais da cidade, é conhecido por usar bermuda mesmo em situações mais formais – provavelmente um hábito adquirido nos três anos em que viveu entre a Suíça e o Havaí. Há alguns anos, Tonico chamou a atenção por ter aparecido vestido de terno num baile de gala onde todos vestiam smoking. Algo impensável para as regras de elegância do patriarca da família, o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, conhecido por seus colarinhos impecáveis.
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POINT Paula Severiano Ribeiro, Nicole Tamborindeguy e Leonardo Alves: todo ano em Ibiza |
Não faltam exemplos de jovens do high society que foram à luta conquistar o mercado profissional. Uma delas é Maria Monteiro de Carvalho, gerente de exportação da grife Isabela Capeto. É ela quem administra a expansão da marca para o Japão. “Estamos pensando em abrir uma loja própria no bairro de Shibuya, em Tóquio”, conta ela. Conhecido pelas festas de Réveillon que costuma promover em seu apartamento, o festejado Bruno Chateaubriand é outro que está metido em muitos negócios. Dono de lojas de calçado, de uma fábrica de bolsas femininas e de duas academias de ginástica, ele até pouco tempo atrás tentava a carreira de apresentador de TV no SBT. “A alta sociedade não existe mais, o mundo mudou”, diz Chateaubriand. “Essas pessoas são destaque no seu trabalho, contribuem de alguma forma.” Para ele, não adianta apenas ter um sobrenome de peso. “Antes, as pessoas davam muita importância a isso, como se fosse um título de nobreza. Não faço o que faço porque sou um Chateaubriand, mas porque as empresas que me contratam me consideram competente.”
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| DRINK Bárbara Pittigliani e Tonico Monteiro de Carvalho no descontraído Bar da Praia, na orla do Leblon |
Responsável por organizar o livro Sociedade brasileira, espécie de guia onde há mais de 30 anos são relacionaram das as mais tradicionais famílias do País, Helena Gondim acha que o termo high society não deveria mais ser usado. “O mundo mudou muito, a vida antes era mais glamourosa.” Ela não sente falta apenas da sofisticação proporcionada pelo dinheiro, mas da delicadeza que era comum em outros tempos. “Os homens eram mais gentis, abriam a porta do carro para a gente. Hoje, não, as mulheres já andam na frente”, lamenta. A nova geração pensa diferente. O jovem João Paulo de Magalhães Lins, 26 anos, filho de um ex-banqueiro e cuja mãe vem da família Nabuco, acha que essa época acabou em boa hora. “Devia ser chato seguir aquela cartilha, a mesma rotina”, acredita ele. Se na época dos playboys a bebida preferencial era o uísque – de preferência 12 anos –, o rapaz passa longe do álcool. “Não bebo, só tomo água.” Se não os outros motivos, ao menos este deve fazer o rei dos playboys, Jorginho Guinle, se revirar no túmulo.
As ‘bíblias’ dos colunistas sociais nos Estados
Publicações que listam socialites e famílias tradicionais são freqüentes no País, principalmente no Nordeste. Na Bahia, o Livro da sociedade Bahiana, publicado a cada dois anos, traz a história dos mais tradicionais, e ricos, do Estado. No Ceará, o colunista social Lúcio Brasileiro edita a cada dois anos o Sociedade cearense. De Fortaleza, Cláudio Cabral lançou o Geração emergente, publicação anual que apresenta os jovens mais atuantes da cidade, de até 35 anos. “Para o lançamento, promovo um coquetel para mais de mil convidados”, conta o autor. No Recife, o colunista João Alberto Martins Sobral, do Diário de Pernambuco, elabora há 25 anos o aguardado anuário Sociedade pernambucana. Em Belo Horizonte, a colunista Daniela Portela lançou o Sociedade mineira, com a relação completa dos “privilegiados” de Minas. E há sempre os livros “high society” que fogem do convencional. Entre eles está o Catálogo de brotos, de Paulo Gasparoto e Elias da Rosa, que lista as meninas mais belas entre 13 e 17 anos da alta sociedade de Porto Alegre. Em Brasília, Ana Maria Gontijo já lançou dois volumes do livro Mesas do Planalto, que mostra as residências dos anfitriões locais. |
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