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"Levo pelo menos quatro"
O governador Teotônio Vilela recebe em sua casa o presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas, que está afastado por improbidade administrativa, e ouve dele uma ameaça de morte

MINO PEDROSA

O governador Teotônio Vilela tem razão para estar preocupado.

“Viver é perigoso”

ISTOÉ – O sr. já recebeu o presidente afastado da Assembléia Legislativa, Antônio Albuquerque, na sua residência?
Teotônio Vilela –
Já, várias vezes, e já fui à residência dele. Ele é meu amigo.

ISTOÉ – Numa das conversas, ele disse que estava pensando em suicídio e levaria pelo menos quatro com ele?
Vilela –
Quem te disse isso? Ele não falou.

ISTOÉ – Ele não falou mesmo, governador? O sr. tem certeza?
Vilela –
Acho que não. Eu não me lembro de ele ter falado isso. Ele esteve na minha casa umas vezes. Eu fui algumas vezes na casa dele. São conversas longas. O Antônio é muito prolixo. Conversamos muito sobre vários temas. Eu não tenho, precisamente, cada ponto abordado. Eu lembro que ele estava abatido, se sentindo injustiçado. Esse tipo de coisa.

ISTOÉ – O sr. teme pela sua vida?
Vilela –
É... Eu me lembro agora de uma frase do meu pai, o velho Teotônio Vilela. Quando alguém colocava: “Mas isso não é perigoso? Aquilo não é perigoso?” Ele respondia: “Viver é perigoso.”

ISTOÉ – O sr. está tendo cuidado com a sua segurança?
Vilela –
Hoje uso a segurança de governador. Nunca usei uma arma. Quando eu era senador não precisava de segurança.

ISTOÉ – Vendo o escândalo em que nove parlamentares foram afastados, como o sr. avalia essa operação da Polícia Federal? E a participação do deputado Antônio Albuquerque, apontado como líder do esquema?
Vilela –
Eu prefiro aguardar o resultado das investigações. Como governador, sou o líder de um poder. Ele, até há pouco tempo, presidia outro poder. Existe uma relação de amizade. Ele me apoiou desde o início da campanha. Eu não vou prejulgá-lo. Eu prefiro aguardar o resultado das investigações e o pronunciamento da Justiça para poder me pronunciar.

ISTOÉ – Alagoas é um Estado violento?
Vilela –
Não é. Alagoas tem esse estigma. Mas também se fala que isso é da cultura de Alagoas. Cultura existe quando há impunidade. Duvido que, na hora que começarem a prender quem mata e quem manda matar, essa cultura não desapareça. A cultura vem da impunidade. E isso nós não admitiremos mais.

ARTE: RICA

 

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3/4/2008


 
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