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Quando o vinho faz o restaurante
Com preços mais em conta, lojas de bebida conquistam clientes servindo também refeição

DANIELA MENDES

MUNDO DE BACO Refeição no La Table, em São Paulo: 900 rótulos à disposição

Foi-se o tempo em que o vinho era um mero coadjuvante em um jantar. A tendência agora é tê-lo como atração principal. Uma nova safra de lojas que comercializam a bebida incorporou pratos para fazer o casamento perfeito entre o vinho e a refeição – com o atrativo de o consumidor pagar preços de revendedora e degustálo em um restaurante. “Nossos clientes pagam em média 70% menos pela bebida”, diz Roberto Luperi, sócio do La Table Enogastronomia, recém-inaugurado em São Paulo, onde 900 rótulos estão à disposição na vinoteca Mondo Di Vino, contígua ao restaurante.

Fonte: União Brasileira de Vitinivicultura/2004Pioneira nesta tendência, a Enoteca Acqua Santa, de São Paulo, abriu as portas há três anos, depois que a enófila Adriana Grasso descobriu a novidade na Europa cinco anos atrás. A casa começou com um menu reduzido, de 12 pratos, que cresceu de acordo com a demanda dos clientes. “Aqui, as pessoas sabem que vão poder tomar um vinho muito mais sofisticado com uma comida de certo nível, o que resulta em um jantar agradável”, diz ela. Adriana investiu apenas em rótulos italianos e a cada vinho degustado o cliente recebe informações detalhadas sobre a procedência da garrafa.

O Vino, original de Curitiba, expandiu esse conceito para suas filiais em Londrina e São Paulo. Na hora de escolher o vinho, os clientes não se contentam em conferir a carta. Preferem passear pela loja e vasculhar as prateleiras. “Temos 1.200 rótulos, 96% deles exclusivos”, diz o enólogo Felipe Lima. Em Curitiba, são duas casas, a Vino Champagnat, de cozinha contemporânea de base francesa e italiana, e a Vino Batel, mais informal e voltada para grelhados.

Sete meses atrás, a filial paulista da importadora Casa do Porto, de Vitória, decidiu criar um pequeno bistrô, com apenas sete mesas, na parte de trás da loja. Lá, antes havia um wine bar, onde era possível saborear queijos na companhia de exemplares de boas safras, mas os clientes queriam refeições de verdade. “Quem gosta de vinho, gosta de comer”, diz Rodrigo dos Santos Gomes, um dos sócios da importadora. E gosta mais ainda quando pode beber bem pagando menos.


28/3/2008


 
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