A aposta de Lula
É pura perda de tempo alertar o presidente Lula sobre a explosão do consumo e do crédito. Nas conversas informais, o presidente gosta de contar, com uma pontinha de vaidade, que foi ele quem convenceu as montadoras a alongar os prazos de financiamento de automóveis. Se não bastasse esse motivo para não voltar atrás, Lula aposta que o desempenho da economia será o principal cabo eleitoral em 2010, a exemplo do que aconteceu nas reeleições dele e de Fernando Henrique, em 2006 e 1998. Com o apetite dos consumidores saciado, Lula tem certeza de que conseguirá fazer seu sucessor. O bolso vai decidir o voto.
Menu variado
Gerou ruído o almoço, na segunda 24, dos presidentes do PMDB, Michel Temer, e do PT, Ricardo Berzoini, com os líderes do governo e do PMDB na Câmara, Henrique Fontana e Henrique Eduardo Alves. Teriam acordado dar a presidência da Câmara a Temer e a do Senado a Tião Viana em 2009.
Volta à cena
O auxiliar de José Dirceu, Marcelo Sereno, pode ser encontrado em várias prefeituras do eixo Rio-São Paulo. É que ele voltou a operar os fundos de municípios. O caixa a seu dispor, no entanto, é bem inferior ao dos bons tempos.

Alça de mira
Relator da CPI que apura crimes de pedofilia, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tem em mãos um mapa que pode levar a comissão a encurralar grandes empresários e políticos. Procurador licenciado, Demóstenes diz que vai enfrentar a todos e, se possível, colocá-los na cadeia.
Vacas magras
Apesar das pressões que sofre da frente parlamentar do agronegócio, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, diz aos interessados que sua experiência lhe recomenda não bater de frente com o ministro Guido Mantega. Só resta aceitar o magro pacote que a Fazenda oferece ao setor.
Na muda
Diante da decisão da Justiça do Rio que proibiu o MST e seu dirigente João Pedro Stédile de incitarem atos violentos contra a Vale, o movimento adotou uma postura de cautela. A direção nacional do MST aconselhou Stédile a não dar entrevistas polêmicas e falar apenas em eventos públicos.
TOMA-LÁ-DÁ-CÁ COM M Ã O S A N T A, senador do PMDB/PI
ISTOÉ – O sr. não exagerou ao usar a tribuna para apoiar a Gyselle do BBB ?
Mão Santa – Não vejo nada de mais. Mais de 70 milhões de pessoas votaram. Segui a voz rouca do povo.
ISTOÉ – O assunto tem pouco a ver com o Parlamento.
Mão Santa – Estou com o Piauí em qualquer circunstância. Por isso a defendi. Ela se saiu melhor do que os demais.
ISTOÉ – O sr. acompanhava a disputa?
Mão Santa – Não faz meu gênero de programa. Mas confesso que não só apoiei a Gyselle como votei nela várias vezes pela internet.
Ellen em Haia
Por mais que a assessoria do STF desconverse, a ministra Ellen Gracie, que deixa a presidência do órgão em abril, continua a trabalhar por uma vaga na Corte de Haia. Ellen não só está empenhada como ganhou sinal verde do presidente Lula. O Itamaraty, porém, não sabe o que fazer para realizar o sonho da ministra. Há mais de um ano, o Brasil lançou a candidatura do juiz Antônio Augusto Cançado Trindade. Considera-se arriscado apresentar um novo nome em cima do laço.
Pasquim anistiado
Para divulgar melhor suas decisões, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça passará a realizar sessões de julgamento fora de Brasília. Na sexta-feira 4 de abril, a comissão se reunirá no Rio de Janeiro em homenagem ao centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) . Estarão em pauta pedidos de indenização de vários jornalistas que foram perseguidos durante a ditadura, entre eles Jaguar e Ziraldo, criadores do Pasquim.
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