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Em busca das Raízes
Turismo étnico atrai negros americanos que querem conhecer cultura afro no Brasil

HISTÓRIA
O Pelourinho, em Salvador: uma das atrações para os viajantes


Um dos berços da cultura dos afrodescendente e detentor da maior população negra depois da Nigéria, o Brasil quer se valer das raízes africanas para incrementar o turismo. O público-alvo são os negros americanos, segmento de 35 milhões de pessoas com rendimentos anuais em torno de US$ 30 mil. A idéia é investir no turismo étnico, nicho no qual as pessoas viajam para conhecer as origens, a história e o modo de vida de determinado grupo.

O governo tem um programa de relações públicas permanente para divulgar o Brasil nos Estados Unidos com escritórios em Los Angeles e Nova York. Para atrair o público negro, criou material sobre a cultura afro, a gastronomia e as festas para ser veiculado na mídia dirigida a este grupo. “O Rio e Salvador são os principais pólos”, afirma a presidente da Embratur, Jeanine Pires.

Maior cartão-postal brasileiro, o Rio atrai muitos turistas com o Carnaval. A Cidade do Samba, na área porturária carioca, fica aberta à visitação o ano inteiro e lá é possível aprender a história do ritmo que tem raízes na África. Em Salvador, onde 80% da população é negra, há várias atrações identificadas com a população afrodescendente: o Parque Dique do Tororó, construído por escravos, abriga estátuas dos orixás, importante referência na cultura negra brasileira, o Pelourinho, no centro histórico, e alguns terreiros de candomblé, entre outros.

Inicialmente, o governo baiano quer qualificar quem recebe os turistas em centros culturais e religiosos. “O candomblé não é atração turística em si, é uma atividade religiosa e os terreiros devem ser visitados com o mesmo respeito com que se vai ao Vaticano”, diz o secretário de Turismo do Estado, Domingos Leonelli. A idéia também é transformar as academias de capoeira em centros de difusão turística. Um dos grandes atrativos da Bahia para viajantes negros americanos atualmente é o Festival da Nossa Senhora da Boa Morte, que acontece em agosto em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Durante os festejos é comemorada a libertação dos escravos, com danças, orações e vários temas do candomblé e do catolicismo.

Há outros centros de difusão de cultura negra. Em Alagoas, foi inaugurado, no fim do ano passado, na serra da Barriga, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, o primeiro parque temático negro da América Latina. Lá, berço da liberdade de quilombolas, as construções são de pau-a-pique, cobertura vegetal e madeira de eucalipto para reproduzir as construções típicas de quilombos. Além de atrair turistas, é uma forma de valorizar a cultura nacional.

PARQUE do Quilombo (AL): construções à moda antiga


26/3/2008


 
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