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A geografia das águas
Livro do fotógrafo Araquém Alcântara retrata a imensidão e a beleza do litoral e dos rios brasileiros

DÉBORA CRIVELLARO

O planeta tem apenas 3% de água doce. O Brasil é dono de 15% dela – só a Amazônia tem 70% deste total. Mas a abundância do recurso no País, absolutamente vital para o ciclo da vida e cada vez mais raro, é proporcional aos problemas que ele enfrenta em solo nacional. Poluição, contaminação e deterioração são apenas algumas das questões que estragam as fontes de água, principalmente das regiões super-habitadas, como a Sudeste, por exemplo, que mais precisam desse bem em profusão. Há várias formas de alertar sobre o perigo que esse, e muitas outros problemas significam para o futuro da humanidade. O fotógrafo Araquém Alcântara apostou na força da beleza. “Meus livros são uma espécie de anseio, clamam indignação, atitude. Mas quero mostrar o que ainda está vivo”, afirma.

Considerado um dos melhores fotógrafos de natureza do País, Araquém acaba de lançar o livro Águas do Brasil (Editora Terra Brasil), um inventário da geografia das águas brasileiras. São imagens de rios, lagos, cachoeiras e praias de norte a sul, fruto de várias expedições fotográficas empreendidas por Araquém e de contribuições de alguns colegas fotógrafos. “É uma homenagens a pedaços de água, à prodigalidade e exuberância dos recursos hídricos brasileiros”, comenta. Há água em abundância, mas também há seca retratada. “Só no Estado do Piauí há 565 municípios em estado de calamidade, totalmente sem água”, conta. “Não dá para falar de água sem contar também essas histórias.”

Autor de 33 livros, Araquém já viajou mais de 50 vezes para a Amazônia. É fascinado por águas desde pequeno, quando seu pai, Manoel de Alcântara Pereira, cozinheiro de um navio de carga baseado em Santos, no litoral paulista, começou a levá-lo para suas viagens, aos cinco anos de idade. Eram dias, semanas desbravando litorais. “Fui fisgado pela beleza dos recursos naturais deste país”, diz. Aos 57 anos, com 38 de profissão, o fotógrafo continua viajando com a mesma intensidade. Só neste ano, prevê pelo menos três viagens para o Alto Rio Negro, uma das regiões mais inóspitas da Amazônia, com 19 etnias indígenas, desconhecidas da maioria dos brasileiros. Elas serão feitas para o próximo livro, Cabeça de cachorro, em parceria com o médico Dráuzio Varella, previsto para sair em dezembro.


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26/3/2008


 
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