Goto optou por retornar ao Brasil para casar e fazer mestrado na Unicamp - que ainda cursa. Negociou, porém, sua contratação para o início deste ano. A Google topou e hoje o paulista é engenheiro de software do Orkut, site de relacionamento mundialmente famoso. É ele o autor de inúmeras inovações no site, como, por exemplo, a possibilidade de responder ao scrap na própria página de recados. "Profissionalmente, não tem lugar melhor para eu trabalhar, já que o desafio é grande. Eu trabalho com tecnologia de ponta, ao lado de pessoas que escreveram livros excepcionais que eu lia na faculdade", comemora Goto, que, por contrato, não pode revelar o salário.
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| COMPUTAÇÃO Júlia Perdigueiro saiu empregada da faculdade e Samuel Goto foi trabalhar no Google, na Califórnia |
Diferentemente do cenário atual, o País, durante décadas, teve um ritmo de desenvolvimento lento e os governantes subestimaram a necessidade de investimento na formação especializada. Hoje, atrair cada vez mais gente para aprender e adquirir competência e certificação em tecnologia, a começar pelo incentivo no ensino médio, é o horizonte que se desenha ante essa carência de mão-de-obra qualificada. É a forma de, no futuro, aumentar a chance de o País exportar mais tecnologia e menos gente de tecnologia.

ENGENHARIA CIVIL
É uma das áreas mais promissoras do momento. Na turma que concluiu o curso no ano passado na Unicamp, por exemplo, 90% dos recém-formados estão no mercado de trabalho. E este número tende a crescer. Segundo cálculo do vice-diretor da Poli (USP), José Roberto Cardoso, cada US$ 1 milhão investido pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) implica a criação de uma vaga de engenheiro. Se o governo federal repassar os R$ 500 bilhões (cerca de US$ 294 bilhões) por meio do programa até 2010 como foi prometido, em quatro anos serão necessários mais 294 mil novos profissionais. O Brasil forma, hoje, 26 mil engenheiros por ano. Aproximadamente 30% são civis. É pouco se pensarmos que a Coréia do Sul e o Japão formam 80 mil cada um e a Índia, 150 mil todo ano. "Precisávamos formar pelo menos três vezes mais" diz Cardoso. A jovem engenheira civil Débora Noronha, formada na Unicamp, começou como estagiária na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) antes de se formar. Hoje, trabalha na Átria Engenharia, que constrói prédios comerciais e obras residenciais, com salário de R$ 1,5 mil. Segundo Cardoso, da Poli, o crescimento da construção civil no País deve muito a países asiáticos, como a China, que se tornaram fortes importadores de ferro, cimento e vergalhão. No mercado interno, o professor e coordenador do curso de engenharia civil da USP, Mario Senatore, aposta nas grandes obras do PAC. Para tanto, porém, é preciso de mais mão-de-obra capacitada. O Brasil tem 2,48 engenheiros por mil habitantes, número muito inferior ao dos países desenvolvidos.

MERCADO FINANCEIRO
A estabilidade da economia n ão restringiu o mercado de trabalho do setor financeiro. Pelo contrário. Hoje, há uma forte demanda por profissionais nas áreas de banco de investimentos, corretoras de capitais, seguradoras e previdência privada. "O mercado está crescendo de uma forma que não se via há anos", diz Ricardo José de Almeida, professor de finanças da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP. "Na sala de aula vejo todo mundo com estágio e já nas melhores empresas." Com este céu de brigadeiro, no ano passado, o jovem economista Rafael Passos Kirsten se deu ao luxo de preterir quatro processos de seleção em empresas como Santander e Unibanco pelo estágio que fazia na Victoire, uma empresa de administração de recursos de terceiros. Na época, aluno do curso de economia com foco em mercado financeiro do Ibmec São Paulo, o paulista de 22 anos recebia R$ 600 mensais. Agora, já formado, foi efetivado com um salário de R$ 3 mil. Centro de referência nas áreas de negócios e economia, o Ibmec São Paulo registrou, no ano passado, um aumento de 60% no número de empresas do setor financeiro que tentam garimpar na instituição um jovem talento. Pesquisa do Ibmec verificou que 83% dos formandos em 2006 declararam não ter encontrado dificuldade para entrar no mercado de trabalho - um aumento de 21% em relação aos graduados em 2004. Esse mesmo levantamento revelou que, em 62% dos casos, os ex-alunos que estão empregados recebem em média um salário entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Desemprego é uma palavra que não existe na área de tecnologia da informação. A relação candidato por vaga no País é de um para um, ou seja, emprego garantido. A agressividade das empresas de TI é tanta na hora de buscar um jovem talento que, desde o ano passado, a gigante IBM firma parcerias com escolas do ensino médio para incluir em seus currículos disciplinas que cubram as necessidades de mão-de-obra especializada. A IBM ajuda a treinar os alunos de Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e dá a eles oportunidade de contratação. É uma das saídas para reverter um quadro crítico: um déficit de 17 mil profissionais nessa área no Brasil - em 2010, esse número deverá chegar aos 100 mil -, segundo um levantamento da consultoria IDC (International Data Corporation). "O Brasil terá déficit de mão-de-obra durante os próximos dez, 15 anos", prevê Deli Matsuo, diretor de recursos humanos da Google para a América Latina. A paulista Júlia Martins Perdigueiro, 24 anos, pesquisou as oportunidades do mercado antes de optar pelo curso de engenharia da computação na Unicamp. Formada no ano passado, ela trabalha como engenheira de softwares júnior do Instituto de Pesquisas Eldorado, referência em soluções tecnológicas inovadoras na área de TI. Júlia começou como estagiária no quarto ano da faculdade recebendo R$ 400. Em pouco mais de um ano, passou a ganhar R$ 3 mil por mês. "Não me vejo desempregada nos próximos anos. O mercado está bom, com muita oferta de emprego", diz Júlia.
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