Além do envolvimento do governador Wellington Dias, um relatório reservado da Coordenação-Geral de Auditoria da Área de Minas e Energia (Diene), órgão ligado à Controladoria Geral da União, mostra como Zuleido subcontratava mão-de-obra de comunidades pobres no interior do Piauí, para o programa Luz Para Todos. O programa não previa prestação de serviços pela comunidade beneficiada como contrapartida das obras. Mas as comunidades pobres eram convidadas a fazer os buracos para postes e o desmatamento. Zuleido subcontratou a LR Construtora, que ofereceu R$ 4 para cada buraco. Tinha buraco que demorava mais de dois dias para ser feito e então a LR posteriormente ofereceu R$ 10. Mas a subcontratada de Zuleido recebia entre R$ 24,17 e R$ 139,82 por buraco escavado, dependendo do tipo de solo. Para os técnicos da Diene, foi uma iniciativa “criminosa” da contratada, no caso a Gautama. Quem faz este tipo de serviço no Nordeste são os agenciadores de mão-de-obra semiescrava, os “gatos”.
A PF também elaborou um diagrama sobre os desvios de recursos da obra do rio Preto, em Brasília. A estrela principal do diagrama da quadrilha é o exdeputado distrital Pedro Passos (PMDB). Há um laudo mostrando que Passos realmente queimou documentos que poderiam comprometê-lo. Os documentos estariam associados com fraudes milionárias do Instituto Candango de Solidariedade. Passos é acusado de receber propinas em troca de liberação de recursos para a Gautama, através de emendas parlamentares. Homem de confiança do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) na Assembléia, Passos renunciou ao mandato para não ser cassado, após ser constatado seu envolvimento com Zuleido. Os depoimentos desmentem as versões apresentadas por Zuleido. Sua funcionária da Gautama, Maria de Fátima, justificou que as cobranças de dinheiro feitas por Passos nas escutas telefônicas se referiam a animais adquiridos pelo filho de Zuleido, em leilão. Mas a PF descobriu que as negociações de animais aconteceram após as datas das escutas. Outro que foi incluído na investigação da PF foi o senador Delcídio Amaral (PT). Na agenda do diretor financeiro da Gautama, Gil Jacó, foi encontrada referência ao pagamento de R$ 24 mil para aluguel de avião, em maio do ano passado. A Gautama, no entanto, não pagou a conta. Quem acabou pagando o avião foi o senador. “É um absurdo retomar um negócio desses”, diz Delcídio. “Quebrei meu sigilo mostrando que não tenho ligação com a Gautama.”
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