Em Sergipe, a PF concluiu que Zuleido entregou em 2006, “por diversas vezes”, dinheiro a João Alves Neto, filho do então governador João Alves Filho, e ao exsecretário da Casa Civil Flávio Conceição de Oliveira Neto. O diagrama indica que em julho de 2006 João Alves Neto teve encontro com o próprio Zuleido para tratar sobre pagamentos que beneficiariam a Gautama em projetos envolvendo a construção de uma adutora no São Francisco. Em um telefonema, Flávio Conceição promete liberar “600” da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) para Zuleido. Em outro quadro, há referência de “propina de R$ 100 mil a Flávio”. O diagrama da PF diz que João Alves Neto primeiro recebeu R$ 100 mil e depois mais R$ 330 mil. Segundo a PF, Flávio Conceição teria repassado R$ 50 mil para o exdeputado Ivan Paixão. Uma das provas citadas pela PF é, novamente, a agenda de Jacó. Na agenda aparecem referências a Flávio Conceição. Ao lado de F.C. está a cifra “200”. Aparece ainda a inscrição “Deso”, ao lado de “500”.

No Maranhão, as liberações de dinheiro para a Gautama foram feitas, de acordo com o relatório da Polícia Federal, com base em medições falsas de obras públicas. Os laudos do Instituto Nacional de Criminalística, que estão anexados aos diagramas eletrônicos da PF, mostram que algumas obras construídas por Zuleido no Estado foram superfaturadas em até 416%. É o caso da ponte sobre o rio Pericumã, que nem sequer foi construída. Só foram feitas obras de desmatamento e terraplanagem. No rio Santa Cruz, Zuleido construiu a ponte, mas superfaturou o item escavação em 978% e ainda usou isopor para tapar buracos entre as grandes placas de concreto, que deveriam ser vedadas com material isolante especial, tipo ‘jeene’. O contrato de Zuleido para tocar obras no Maranhão foi de R$ 143 milhões. O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), é incluído pela PF como um dos membros do esquema que desviou recursos públicos em favor da Gautama, em troca de propinas. No diagrama da PF, junto com o governador estão seus sobrinhos Alexandre Maia Lago e Francisco Paula Lima Júnior. A PF monitorou os sobrinhos de Lago recebendo R$ 240 mil de Zuleido em Brasília. Em um dos diagramas do Maranhão, a PF relata literalmente: “Pagamento de propina a Alexandre, Paulo e Jackson Lago, correspondente a 8% da liberação de R$ 2,9 milhões para a Gautama em março do ano passado”. Como antecipou ISTOÉ em sua edição número 1961, a PF recolheu anotações com Zuleido que descrevem a distribuição do dinheiro para “Chefe Maior”, agora identificado nos relatórios de inteligência como o governador Jackson Lago. Em abril do ano passado, segundo a PF, mais “propina para Alexandre e Jackson”, no valor de R$ 40 mil, referentes aos R$ 492 mil liberados em nova medição de obra. “O governador não afiançou o que os sobrinhos andaram fazendo”, diz Zeca Pinheiro, assessor do governador.
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