O cantor e compositor americano Bob Dylan, 66 anos, um dos maiores ídolos do rock em todo o mundo e autor de clássicos como Blowing in the wind e Like a rolling stone, chega ao Brasil na quarta-feira 5 para realizar três shows - dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro. O festejado e incansável Dylan segue depois em turnê pela América Latina. Essa é a terceira vez que ele se apresenta no País (esteve aqui em 1990 e 1998) e agora a sua vinda tem um motivo especial: a comemoração de duas décadas de Never Ending Tour, a turnê sem fim (e também de sucesso sem fim), iniciada por ele em 1988 para fugir daquilo que já se tornara um tédio: ficar gravando em estúdios. Nem mesmo uma inflamação cardíaca, que o levou a uma internação de poucos dias em 1997, o afastou dos palcos. As turnês se tornam mais intensas na primavera, no verão e no outono (ele detesta trabalhar no inverno), quando então viaja com sua banda pela Europa, Japão, Austrália, EUA e América Latina, realizando uma média anual de 120 shows. Para as apresentações no Brasil, Dylan fez uma única exigência: não quer ser tratado como gênio. Nada mais coerente nesse artista que em 40 anos de profissão foi descartando todos os rótulos que lhe atribuíram.
Em uma entrevista à revista americana Time, no longínquo ano de 1965, e agora reproduzida no recém-lançado DVD Don't look back, Dylan, então com 25 anos e no auge do rock, manteve um forte embate com o jornalista que o entrevistou. Afirmou que na Time não se publicam idéias, mas apenas fatos, e isso porque a revista o classificou com um cantor folk, embora ele próprio tivesse corrigido diversas vezes essa denominação. A sua irritação com rótulos também aparece na autobiografia Crônicas: volume um. No livro, ele relata que teve "vontade de se morder" ao ser apresentado numa universidade como "a consciência angustiada da juventude americana".
Avesso à rasgação de seda em geral, Dylan uma vez recebeu um prêmio de direitos civis devido à crítica aos preconceitos raciais que faz em muitas de suas letras. Surpreendeu ao aceitar o convite para um sofisticado jantar com empresários e curadores da premiação, mas, uma vez estando lá, não poupou a platéia engravatada ao agradecer o prêmio: "Meus amigos negros não usam terno." Em 2001, ao ganhar o Oscar de melhor canção pela música Things have changed, do filme Garotos incríveis, não foi receber a estatueta. O seu temperamento recluso e às vezes hostil muda por completo, no entanto, quando ele está trabalhando diretamente com música - a troca de influências e parcerias o agrada. No momento, ele está compondo com o guitarrista Jack White (da banda White Stripes) para a gravação de seu próximo disco, programado para ser lançado ainda em 2008. O projeto inclui músicas até então inacabadas do cantor country Hank Williams. Todas serão finalizadas por artistas escolhidos pelo próprio Bob Dylan.
Em São Paulo, nos dias 5 e 6 de março, na Via Funchal, às 22 horas
No Rio de Janeiro, no dia 8 de março, no Rio Arena, às 21h30
 |
| PERFEITA Cate Blanchett caracterizada como Bob Dylan no filme I'm not there |
Cate Blanchett interpreta Bob Dylan
O filme I'm not there (de Todd Heynes), que estréia no Brasil na sexta-feira 7, conta a vida de Bob Dylan. Ele é interpretado por seis atores - entre os quais há até uma mulher. A atriz Cate Blanchett faz o artista em sua fase jovem e a sua atuação recebeu indicações ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (vencido por Tilda Swington) e ganhou o prêmio de melhor atriz da agremiação independente Spirits Awards.