ISTOÉ - Independente
 
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Comportamento  
Imprimir
 
A invasão dos raios
Fenômeno La Niña aumenta mortes por descargas elétricas no País

CLAUDIA JORDÃO

A máxima de que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar não se aplica ao cinegrafista Virgílio Ferro, de 31 anos. Na tarde do dia 17, ele estava no gramado de um estádio de futebol em Brusque, Santa Catarina, para cobrir o jogo entre Brusque e Avaí, pelo Campeonato Catarinense. De repente, granizos anunciaram uma forte chuva. A tempestade não demorou a alagar o campo e foi aí que um raio atingiu Virgílio e um colega, próximo dele. “Senti um formigamento no meu braço direito, voei para um lado e a minha câmera para o outro”, conta Virgílio. Formigamento, assim como cabelos arrepiados, são sensações comuns relatadas por sobreviventes de descargas elétricas. “Tomaram meu pulso e notaram que a minha mão estava travada, eu tinha dificuldade de abri-la”, diz ele, ressaltando que seu dedo direito, que apertava um botão na câmera, doeu por mais dez dias. O surpreendente é que o histórico do cinegrafista com raios não é recente. Há oito anos, ele foi atingido em uma praia. “Fiquei meio abobalhado”, lembra.

Acidentes como o de Virgílio são comuns, mas nem todos têm a mesma sorte. “A cada quatro pessoas atingidas por raios, uma morre”, afirma Osmar Pinto Júnior, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Geralmente, a morte se dá quando a pessoa é atingida diretamente pela descarga, que carboniza o corpo. Só em 2008 – ou seja, nos primeiros 56 dias do ano –, 25 pessoas morreram em virtude de descargas atmosféricas no Brasil. É um número alto, se comparado aos três primeiros meses do ano passado, quando foram registradas 18 vítimas fatais.

Esse crescimento tem uma explicação. “A culpa é da La Niña”, diz Júnior. Com ocorrência média a cada sete anos, o fenômeno meteorológico é responsável pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico equatorial. “As temperaturas ficam mais frias, diminui a evaporação do mar e a formação de nuvens, o que altera a circulação atmosférica de todo o planeta”, explica ele. Os efeitos do La Niña são distintos em cada lugar.

No Brasil, as regiões Sudeste e Centro- Oeste são as mais influenciadas pelo fenômeno, que provoca o aumento das tempestades. Desde o começo do ano, caíram cerca de 207 mil raios no Sudeste, contra 152 mil no mesmo período do ano passado”, diz Júnior. Em 2001, última vez que o La Niña apareceu, 73 pessoas morreram por descargas atmosféricas no País. Segundo um ranking do Inpe, que cobre nove Estados brasileiros, a cidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista, é a campeã em incidência de raios. O motivo é a alta freqüência de tempestades provocadas pelo choque do ar úmido, que vem do litoral, com o ar abafado e quente que toma conta da capital paulista e da Grande São Paulo, em virtude da poluição. A menos perigosa da lista é Espinosa, em Minas Gerais.


5/3/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions



>