De acordo com a seqüência investigada pela PF, os acertos no Piauí teriam começado ao meio-dia da quinta-feira 25 de janeiro de 2007, quando Rondeau foi a Teresina anunciar a liberação de R$ 1,7 bilhão em geração e transmissão de energia no Estado. “O Piauí é o primeiro Estado a receber recursos do PAC”, dizia Silas Rondeau. Nesta visita, estavam ao lado de Silas o presidente da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Jorge Targa, o diretor regional do Luz para Todos, José Ribamar Santana, e Valter Cardeal, da Eletrobrás. Quem intermediou todos os contatos da Gautama com o governo foi o lobista Sérgio Sá, da Engevix. Contemplada com trechos da Rodovia Norte-Sul, a Engevix continuou recebendo dinheiro do governo federal após a Operação Navalha, no ano passado. Foi Sérgio Sá, “com o intuito de obter vantagem para a organização criminosa”, diz a PF, quem intermediou contatos entre o governador Wellington, o vice Osmar Júnior, Jorge Targa, Silas e Zuleido. “O Sérgio não recebeu e nem ofereceu vantagem econômica para ninguém”, diz o advogado Irineu de Oliveira, que o defende. “Ele apenas possibilitou o relacionamento do Zuleido com o Ministério de Minas e Energia”. Estes contatos do lobista com o governador e o ministro começaram a ser feitos em 2006, após encontro com o presidente Lula, numa visita ao Estado. A partir dali, entende a PF, a quadrilha começou a discutir uma fórmula para liberar recursos mais rápido e publicar editais que não fossem barrados pelo TCU. A PF transcreve assim uma conversa gravada no dia 12 de julho de 2006: “Sérgio diz que foi tudo bem. Junto com Wellington, Osmar e Jorge, conversaram com Silas e estava tudo encaminhado na Eletrobrás com relação ao resto do dinheiro para o Luz Para Todos e conversaram bastante sobre a questão dos editais.” Em uma das escutas, gravada dia 29 de agosto de 2006, Sérgio diz que vai se encontrar com Osmar “no Palácio da Alvorada”, e combina com Zuleido Veras que retornaria a ligação após o encontro.
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| O CONTADOR A agenda de Gil Jacó, contador da Gautama, revela a suposta propina para o ministro Rondeau |
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| ZULEIDO O dono da Gautama registra encontros com Rondeau e com Sérgio Sá, da Engevix, |
O relatório da PF diz que Sérgio Sá auxiliou Zuleido a também resolver junto ao Ministério de Minas e Energia e à Eletrobrás um “impasse” que estaria dificultando a liberação de recursos para a Gautama. As escutas mostram Sérgio tentando agendar encontros com Valter Cardeal, da Eletrobrás, para discutir interesses do esquema. “Nunca vi esse Sérgio Sá na vida e nunca me encontrei com Zuleido Veras”, diz Cardeal. Como diretor de engenharia da Eletrobrás, Cardeal negou adiantamento de dinheiro da Conta de Desenvolvimento Energético à Cepisa, para repassar à Gautama. Ele diz que nenhum centavo da Eletrobrás foi repassado a Zuleido Veras.
A Gautama pagava propina dentro e fora do Ministério de Minas e Energia. As gravações da PF mostram que o lobista Sérgio também levava parcela do dinheiro distribuído por Zuleido. Em uma das conversas gravadas dia 9 de março do ano passado, Zuleido diz que havia tirado “20” (R$ 20 mil) de Sérgio para completar os “120” (R$ 120 mil) que seriam entregues a Tereza Lima, da Gautama, e Ivo, para darem ao ministro. Na mesma conversa, Tereza diz que falou com Ivo e este disse que só poderia pegar “a encomenda” no dia 13, dia em que o dinheiro teria sido entregue ao ministro. Na agenda de Ivo consta um contato dele com a funcionária Tereza no mesmo dia 13. A agenda de Gil Jacó descreve outros supostos pagamentos. O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), o lobista Roberto Figueiredo, preso na Operação Navalha, aparece ao lado de uma cifra de R$ 45 mil. Ele foi secretário do Tesouro no governo de Fernando Collor. O advogado de Figueiredo, José Eduardo Rangel de Alckmin, não se pronunciou.
A denúncia da Operação Navalha está pronta há mais de seis meses. Mas na quinta- feira 21 continuava no computador da subprocuradora da República Lindôra Araújo. O procurador-geral, Antonio Fernando de Souza, já demonstrou seu desconforto com tanta demora. A subprocuradora Lindôra promete apresentar sua peça logo. “A denúncia está pronta e espero apresentá-la em uma semana”, garante.
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