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Medicina & Bem-estar  
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O retrato do ponto G
Cientista italiano afirma ter encontrado a localização de uma das principais áreas que estariam associadas ao prazer feminino

Na última semana, o pesquisador italiano Emmanuele Jannini, da Universidade L'Aquila, anunciou ter feito uma descoberta sensacional. Por meio de exames de ultra-som, ele afirma que conseguiu localizar com exatidão o ponto G, área que estaria relacionada à satisfação sexual feminina. Jannini baseou sua conclusão na avaliação das diferenças anatômicas de 20 mulheres. Onze relataram não ter orgasmos vaginais. As outras nove disseram ser capazes de experimentar esse tipo de prazer, obtido pelo estímulo da parede frontal da vagina, sem a excitação simultânea do clitóris. Nessas últimas, o italiano verificou que o tecido existente entre a vagina e a uretra - onde imaginava- se mesmo que ficaria o ponto G - era mais espesso do que o das outras participantes do estudo. Na opinião do italiano, esta era a informação que faltava para comprovar de uma vez por todas a existência da estrutura e sua associação com o orgasmo vaginal. E foi taxativo: "As mulheres sem evidências visíveis do ponto G não podem ter esse tipo de orgasmo", afirmou. O trabalho no qual ele relata a experiência foi publicado no Journal of Sexual Medicine.

O anúncio - e as afirmações de Jannini - despertaram, é claro, grande polêmica entre os estudiosos da sexualidade. Na opinião de vários especialistas, a constatação de espessamento da área onde supostamente está o tal ponto não comprova sua existência, como alega o italiano. Alguns pesquisadores, por exemplo, levantam a hipótese de a diferença de espessura ser na verdade resultado de um estímulo constante da área por mulheres acostumadas ao prazer vaginal. "Isto pode ter alterado a anatomia, como acontece quando usamos muito um músculo e ele cresce", afirma a psiquiatra Leonore Tiefer, da Universidade de Nova York. No Brasil, a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade, da Universidade de São Paulo, também analisou os achados com cautela. "É preciso realizar trabalhos com amostras maiores de mulheres", afirma. "A pesquisa divulgada agora não aponta, entre outras coisas, qual a origem do espessamento constatado", pondera.

Na Itália, Jannini planeja expandir seus estudos. Um das suas propostas é avaliar se doses extras de testosterona, o hormônio responsável pelas características masculinas, aumentariam o tamanho da área que ele diz ser o ponto G em mulheres na pós-menopausa. Nessa parcela da população, por causa do desequilíbrio hormonal típico do período, pode haver dificuldade nas relações sexuais por falta de lubrificação da vagina. A idéia do italiano é fazer com que elas voltem a experimentar o prazer por meio da estimulação daquele que afirma ser o famoso ponto G. Enquanto isso, a polêmica continua.

CILENE PEREIRA


27/2/2008


 
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